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17/09/2020 - 23h37

As cinco maiores transformações do home office para o mundo pós-pandemia

Neste artigo, Raphael Machioni, CEO da Vee, traz sua visão sobre o que está por vir

 

 

Por Raphael Machioni *

 

Desde março de 2020, a grande maioria das empresas precisou aprender a conviver com um conceito que já rondava o mercado de trabalho: o home office. A possibilidade de o colaborador trabalhar de casa, sem ter que ir ao escritório, já era debatida há algum tempo no ambiente corporativo. Com a pandemia de Covid-19 e a necessidade de distanciamento social, essa modalidade tornou-se essencial para manter a produtividade em dia neste novo cenário das empresas. Contudo, a consolidação do trabalho remoto traz profundas transformações não só nas organizações, mas em toda a sociedade. Veja algumas transformações que separei aqui para vocês:

 

1 – ECONOMIA FUTURA

As empresas que adotaram o home office precisaram realinhar a oferta de vantagens aos colaboradores. Aquelas que já apostavam na flexibilidade dos benefícios se adaptaram melhor a esta realidade, uma vez que permitiram investimentos para melhorar as condições de trabalho a seus colaboradores. Ou seja, com o "auxílio home office", eles puderam adquirir mobília, equipamentos tecnológicos, kits ergonômicos, entre outros. Essa é uma necessidade cada vez maior do ambiente corporativo, uma vez que também proporciona uma maior economia no futuro – afinal, não haverá mais custos operacionais relacionados ao escritório, como contas de energia e gastos com papelaria.

 

2 – BENEFÍCIOS QUE REALMENTE AGREGAM VALOR

Dessa forma, os próprios colaboradores também precisaram se adaptar a uma transformação importante: utilizar benefícios que façam sentido nessa nova realidade. Uma pesquisa em nossa base de clientes mostra mudanças importantes nos hábitos das pessoas. A categoria "alimentação", por exemplo, representa mais de um terço (36,7%) do volume de compras. Gastos com "cultura", como livros e streaming, cresceram 300% durante a pandemia, enquanto que transações relacionadas ao custeio de internet e telefonia cresceram 229% na comparação do período de janeiro a junho de 2020, período que mostra realidades bem distintas no modelo de trabalho.

 

3 – QUALIDADE DE VIDA AOS COLABORADORES

O trabalho remoto proporciona mais tempo livre a todos os colaboradores. No mínimo, a pessoa ganha o tempo que utilizava para chegar ao local de trabalho. Se um profissional gastava uma hora para ir e mais uma para voltar, ele tem duas horas em seu dia para utilizar como quiser, seja descansando, realizando alguma atividade cultural, praticando uma atividade física ou simplesmente convivendo com sua família.

 

4 – QUESTÃO SALARIAL

Durante a pandemia, a prática do home office chegou a levantar um debate sobre a questão salarial, com a discussão sobre a diferenciação de valores para quem trabalha de casa. Entretanto, é preciso compreender que o salário é o mesmo, independentemente do local onde o colaborador exerce sua função. Afinal, o trabalho remoto não representa uma queda de produtividade. Pelo contrário, a estimula: pesquisa da ISE Business School mostra que seis em cada dez executivos acreditam que essa modalidade contribuiu para melhorar a eficiência dos colaboradores durante a pandemia.

 

5 – REMODELAMENTO URBANO

O trabalho remoto também vai provocar mudanças no desenho das grandes cidades. A partir do momento em que as pessoas trabalham em suas casas, elas não precisam mais morar perto dos escritórios. É um fenômeno que já se observa em grandes centros, como Nova Yorque, nos Estados Unidos. Lá, quem atua em home office busca casas mais distantes para aproveitar o baixo custo e ter mais qualidade de vida.

 

O transporte público também passará por modificações, uma vez que terá menos gente circulando de ônibus, metrô e trens nos horários de pico.

 

Tendência esperada para os próximos anos e vista como distante aqui no Brasil, o trabalho remoto precisou ser incorporado às pressas pelas organizações por conta do avanço do novo coronavírus. Mesmo em um período de adaptações das rotinas corporativas, tornou-se essencial ao manter a produtividade em alta nesse período de incertezas.

 

Assim, para aproveitar ao máximo as vantagens que essa modalidade tem a oferecer, é preciso apostar na flexibilidade na gestão, permitindo que os colaboradores possam usufruir de todos os seus benefícios ao mesmo tempo em que representa maior economia às empresas. Em um cenário de fazer mais com menos, esse é um ponto crucial para quem deseja se destacar em seu segmento no futuro.

 

* Raphael Machioni é CEO e co-founder da HR tech Vee

 

Foto de abertura: Divulgação/Vee