| Além de assistência médica e odontológica, muitas empresas estão investindo em programas visando melhorar a qualidade de vida de seus colaboradores. O funcionário que tem uma vida saudável produz mais e melhor e, consequentemente, falta menos ao trabalho. Conscientes dessa situação, muitos empregadores passaram a dar mais atenção à saúde de seus colaboradores, oferecendo assistência médica e odontológica. Mas isso não é tudo. Programas de qualidade de vida são implantados para conscientizar os funcionários da importância de manter uma boa saúde e, assim, evitar grandes gastos com os planos de assistência. Já que o sistema de saúde pública não oferece segurança aos usuários, resta às empresas fazerem um papel que não cabe a elas, recorrendo à criatividade e ao bom senso para garantirem às pessoas o que era dever do Estado. "Os programas de qualidade de vida funcionam também como um diferencial no momento de contratar e manter colaboradores", analisa Rogéria Oliveira de Deus, gerente de relacionamento com funcionários do Banco de Boston. O banco implantou o Programa de Apoio Pessoal (PAP), que é uma parceria com uma empresa especializada em tratamentos comportamentais, como terapia para crianças, adultos e adolescentes. O funcionário paga menos que 40% do preço total da consulta, e ainda há um plantão telefônico para casos emergenciais. A preocupação da empresa não se limita aos colaboradores. Suas famílias também são convidadas a participar dos programas e outras atividades, e ainda recebem um jornal chamado "Em Casa". "É importante envolver a família, pois ela quer conhecer e saber onde o parente trabalha. A mudança de hábito não deve acontecer apenas no trabalho, mas em casa também. Por isso estimulamos funcionários e familiares a adotarem um estilo de vida mais saudável", conta Rogéria. Mudar hábitos já enraizados não é tarefa fácil, mas a criatividade pode ser uma boa saída. Dentro do programa de Qualidade de Vida, o Boston promove festas, olimpíadas, atividades culturais e até concurso de receitas. Tudo isso, comenta Rogéria, deve ser feito com prazer. "Procuramos complementar, com outros programas, o plano de assistência médica", diz Antonio Luiz Guimarães, diretor-adjunto da empresa. O Boston mantém convênio com três empresas de assistência médica. Conforme a hierarquia do funcionário, ele tem direito a determinado tipo de assistência. "Para os colaboradores que ganham menos o banco cobre totalmente o custo. Outros pagam no máximo até 20% de exames e consultas. No que se refere à internação, o banco cobre 100% em qualquer nível. No plano odontológico o funcionário paga R$ 2,32 por mês", explica Guimarães. Algumas empresas decidiram implantar o sistema de autogestão em saúde por não estarem satisfeitas com a cobertura dos serviços de assistência médica. A Organização Philips Brasileira usa esse sistema há 12 anos, atendendo cerca de 6.400 dos 13.500 funcionários do grupo. "Um dos motivos da implantação da autogestão foi que na época, os outros sistemas complementares de saúde ou não atendiam aos nossos objetivos, ou o custo inviabilizava sua contratação", explica José Carlos Baptista Dal Farra, gerente de serviços de saúde da Philips. Mas atualmente, além do sistema, a organização mantém convênios com empresas de medicina de grupo e cooperativa médica. Na autogestão, o funcionamento do plano é feito pelo credenciamento direto de médicos, hospitais, clínicas e laboratórios. "Um problema é a variação dos custos. A vantagem desse sistema é que não se visa o lucro, possibilitando melhor negociação com os prestadores de serviços, melhor relacionamento com os recursos credenciados, e maior grau de satisfação da empresa e dos funcionários", conta Dal Farra. Desta forma, a empresa pode adequar os médicos, hospitais, tratamentos conforme as necessidades peculiares dos funcionários. A Philips ainda tem um programa chamado Promoção de Saúde e Estilo de Vida, que visa a mudança comportamental, valorizando o conceito de saúde holística para seus funcionários e dependentes. "É direcionado para a saúde da empresa e sua produtividade, voltada para ações de medicina preventiva, ocupacional e para o meio ambiente. O programa tem no seu bojo a expectativa de reduzir a tendência da curva ascendente dos custos de assistência médica de seu plano de saúde", analisa Dal Farra. Alguns programas já foram consolidados na divisão Walita, que pertence à Philips, como condicionamento físico, nutrição, ginástica laborativa, entre outros. "A melhor imagem para a empresa pode ser traduzida pela maior adesão de seus funcionários e candidatos a emprego, elevação de produtividade e redução de eventos relacionados a riscos para a saúde", revela Del Farra. A exemplo do Banco de Boston e Philips, a Natura também se preocupa com o bem-estar de seus 3 mil colaboradores. Desde 1994 a empresa mantém programas de qualidade de vida com ações nas áreas de saúde, lazer, condições de trabalho e meio ambiente. "O objetivo do programa é capacitar o colaborador a identificar e gerenciar seu estilo de vida, motivando-o sobre eventual necessidade de mudança para que ele obtenha uma melhoria na qualidade de vida", expõe Cristina Liberado, gerente de RH da Natura. A empresa também oferece dois convênios médicos aos funcionários. Um foi desenhado e é administrado pela própria Natura, que atende aos colaboradores de São Paulo; o outro é um sistema de cooperativa que atende as promotoras de venda fora de São Paulo. O custo para a empresa gira em torno de R$ 40,00 por pessoa e o colaborador não paga quando escolhe o plano básico. Serviço: Banco de Boston (011) 249-5547; Natura (011) 547-7280; Philips (011) 546-8246 Assistência médica personalizada A Golden Shield, empresa de assistência médica e odontológica que atua há 16 anos no mercado, trabalha com um diferencial em relação às suas concorrentes: oferece planos personalizados para empresas. "Como as organizações estão racionalizando os custos em benefícios, adequamos o plano às necessidades dos clientes. Desenhamos o que eles realmente precisam, como por exemplo, onde mora a maioria dos seus funcionários, entre outros fatores", explica Marcos Caggiano, diretor da Golden Shield. Atualmente a empresa conta com cerca de 60 mil usuários e 1.800 entidades médicas credenciadas no Estado de São Paulo. Desta forma, com as características gerenciais da empresa-cliente e o quanto ela pretende gastar, a Golden Shield fortalece algumas áreas médicas em determinadas regiões, sem esquecer das outras especialidades. Por exemplo, se uma organização tem grande parte dos trabalhadores morando na zona leste da capital paulista, e a maioria é do sexo feminino, o convênio oferece um número maior de obstetras e ginecologistas, além de concentrar médicos e hospitais naquela região. Serviço: Golden Shield (011) 245-5000 Transporte aeromédico com segurança Como grande parte dos hospitais brasileiros não tem infra-estrutura adequada para tratar pacientes em estado grave, o transporte aeromédico foi incluído em alguns planos de saúde e se tornou um serviço importante para salvar vidas. Pensando assim, a Unimed São Paulo investiu, durante dois anos, no planejamento e pesquisa de tecnologia de remoção aeromédica para, em outubro de 95, oferecer aos seus usuários o Unimed Air. A empresa fez uma parceria com a Air Methods, localizada nos EUA, especializada em transporte aeromédico, para adquirir tecnologia e treinamento de ponta. "Este é um serviço de transporte aeromédico inter-hospitalar, isto é, de um centro desprovido de atendimento adequado para centros especializados", explica Carlos Henrique Okumura, gerente médico da Unimed Air. Muitas pessoas confundem o transporte aeromédico com o resgate. Este quem o faz é o corpo de bombeiros, polícia ou paramédico. O serviço da Unimed Air e de outras empresas de transporte aeromédico é remover o paciente de um hospital sem condições de tratá-lo, com o aval do médico responsável, para outro hospital com estrutura de tratamento adequada. A equipe aeromédica não busca o paciente na beira da pista, estrada ou floresta. "Ela vai até o hospital com os equipamentos médicos da aeronave, que foram montados especialmente para esse tipo de serviço, reavalia o paciente e aí sim o transfere de ambulância até o avião ou helicóptero", diz Okumura. Para poder usar o Unimed Air existem algumas restrições em relação às patologias. Elas são flexíveis, isto é, desde que a cidade não tenha hospitais com condições adequadas de tratar a patologia, o paciente é transferido pelo transporte aeromédico. Desta forma, a Unimed Air faz cerca de trinta vôos por mês com uma frota de dois helicópteros, sendo que um deles voa em qualquer tempo, além de um jato Learjet e um avião Pilatus, que voam a longa distância sem escalas. Há ainda um avião de apoio técnico. A empresa também aluga seus serviços para não associados, desde que os conveniados não precisem usá-lo. "A Unimed Air se preocupa com a qualidade para não colocar em risco a vida dos tripulantes e passageiros. Por isso temos um hangar próprio e equipe de mecânicos e engenheiros. Além dos pilotos, os médicos e enfermeiras foram treinados nos Estados Unidos especialmente para executar serviços aeromédicos", garante Okumura. Quando começou, a Unimed Air atendia apenas os usuários da Unimed São Paulo. Esse serviço, que é homologado pelo DAC, hoje atende a 70 cooperativas Unimed espalhadas pelo Brasil, que mantêm um milhão e meio de associados. Serviço: Unimed Air (011) 5581-4484 RH EM SÍNTESE Nº 13 NOV/DEZ 1996 - ANO II - PÁGINAS 46 A 48 |