| Recrutamento pela internet reduz o tempo de contratação em 66% e tem custo 90% mais baixo Marcelo Mariaca* Uma mudança revolucionária na maneira como os funcionários são contratados está ocorrendo nos Estados Unidos. Tudo indica que essa tendência vai se propagar pelo mundo, incluindo o Brasil. O chamado e-recruiting (ou ecruiting), contratação pela internet, foi tema de um seminário de que participei, organizado pela Kennedy Information, em Nova York, no final do ano passado. O evento reuniu 1.700 participantes das principais indústrias, bancos e empresas de headhunting. O e-recruiting pode acontecer de duas formas: por meio de sites dedicados exclusivamente a carreiras, como o brasileiro Gbiz (www.gbiz.com.br), que nos Estados Unidos já somam cinco mil, ou por sites das próprias empresas, que oferecem aos internautas a opção de preencher uma ficha de inscrição ou de enviar os seus currículos. Grandes empresas estão adotando a contratação pela internet. A General Electric, por exemplo, efetuou 87% de suas contratações pela rede, em 2000. O e-recruiting foi utilizado também, no ano passado, em 100% das contratações da Cisco Systems e da HP. Outro número apresentado no evento foi o de estudantes norte-americanos que procuravam emprego: 40% deles afirmam ter utilizado a internet. Na lista das 500 maiores empresas norte-americanas da revista Fortune, 90% já recebem currículos online e 71% já publicam fichas de inscrição nos seus websites, permitindo que os candidatos se registrem online para esses cargos. E os números não param por aí. Em 1999, estudantes norte-americanos passaram cerca de 4,8 horas semanais procurando empregos na internet. Em 2000, esse número subiu para 8,7 horas semanais. Dentre os serviços mais procurados por esses estudantes nos sites dedicados a empregos, o aconselhamento sobre carreiras aparece com 58% das preferências, seguido do cadastramento de currículos (54%). Os sites também são usados como canais para contatar empresas (43%), colocar currículos em bancos de dados (40%), fazer auto-avaliação (24%) e chats (20%). O tráfego dos 20 maiores sites relacionados a carreiras dos EUA aumentou 47,7% no período de dezembro de 2000 a janeiro de 2001, tornando-os importantes fontes para os gerentes que contratam nas companhias. Um estudo aponta o site Monster.com como o líder, com 615 milhões de page views, seguido pelo Hotjobs.com, Headhunter.net, Craigslist.org e Dice.com. O trafego aumentou pelo menos 20% em cada um dos maiores sites e pelo menos 40% nos 18 principais. O Monster.com foi o 13º site mais acessado entre todos os usuários norte-americanos em janeiro de 2001, ficando à frente dos poderosos Lycos.com, ZDNet.com, CNET.com, MSNBC.com e CNN.com. Com tantos canais de empregos e empresas disponíveis, como podemos identificar o ideal? Em primeiro lugar, ele deve aceitar currículos e e-mails, além de manter um sistema eficiente de resposta imediata e de esclarecimento de dúvidas. Deve ser de fácil navegação e possuir uma lista de oportunidades e informações sobre as empresas. Diferenciais como um bom conteúdo atendem às necessidades dos candidatos. Já as empresas buscam um site que permita a postagem de anúncios e ofereça serviços como autotestes, em inglês, ou marcação de primeira entrevista. É bem provável que as empresas continuem a contratar os executivos pelos meios tradicionais, utilizando os headhunters. Mas as posições técnicas, de vendas, engenharia, suporte, finanças, recursos humanos, áreas de apoio (incluindo supervisão de laboratórios e fábricas), gerências médias e estagiários deverão ser contratadas através do e-recruiting. Quem utiliza o e-recruiting reduz o tempo de contratação de técnicos e gerentes em 66%, enquanto o custo de cada contratação cai 90%. No Brasil já existem 60 canais de empregos, e os principais estão em grandes portais e provedores de acesso. * Marcelo Mariaca é professor de Gestão e Capital Humano do MBA Executivo da BSP e diretor vice-presidente da Mariaca & Associates, Global Partners da Lee Hecht Hassison e sócio-acionista da Intersearch Worldwide GESTÃO PLUS Nº 21 - ANO IV - JUL/AGO 2001 - PÁGINA 32 |