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Desafios para a gestão salarial

Thirso Mills Vieira *

Mais do que nunca a discussão sobre o futuro dos negócios é hoje freneticamente abordada. O objetivo é o de se obter respostas indicativas no sentido de se manter e ampliar a participação em mercados, adequando estes investimentos na razão direta de seu retorno. Não há um só segmento de atividade econômica que não se sinta afetado pelas influências da competição internacional, que no Brasil associam-se às tendências de estabilização e desindexação econômica.

Nesse contexto, o ambiente que envolve as organizações alterou-se, tornou-se extremamente permeável em função dos desafios da qualidade e competição, que concorrem com o desabamento das fronteiras comerciais, com os processos de fusão, cisão, privatizações e, em especial, com a instalação de novas empresas no país.

Os reflexos desse processo agridem diretamente e beneficamente o mercado de trabalho, redesenhando arquiteturas funcionais, determinando o redimensionamento de perfis de atuação profissional, provocando uma verdadeira revolução de crenças e valores relacionados às políticas, práticas e técnicas convencionais de identificação, atração, obtenção, retenção, remuneração e desenvolvimento das estruturas profissionais das empresas.

Este processo de transição, apesar de traumático para a maioria das empresas, contribui sobremaneira para resgatar, com seriedade, a efetiva importância da gestão qualitativa, equilibrada e competitiva das diferentes estruturas salariais da empresa, visto que desafia e estimula empresas e profissionais a uma busca por um reposicionamento no sentido de alcançar padrões ótimos de competitividade e auto-realização, sustentados na ética, na ampliação de competências técnicas e pessoais e no comprometimento bilateral com o alcance de resultados planejados.

Este cenário obriga as empresas competitivas a buscar novos, simplificados e eficazes instrumentos de gestão, informação e controle, que no mínimo assegurem o seu equilíbrio adaptativo ao mercado, visando assim potencializar o seu poder competitivo, identificando e minimizando as vulnerabilidades estratégicas.

Enquanto não dispomos das condições necessárias para prognosticar o ritmo em que se efetivarão as mudanças e a velocidade de ajustamento do mercado empresarial a essas mudanças, tudo o que se disser a respeito de uma equalização e estabilização inercial dos salários, desconectada de uma avaliação segura da real condição de equilíbrio competitivo de cada empresa, servirá apenas para embaralhar as cartas de um jogo marcado, cujo vencedor continuará sendo a empresa que possuir, principalmente num cenário de economia estabilizada, o controle confiável do nível de sintonia de suas políticas e práticas de remuneração. 

* Thirso Mills Vieira é gerente de consultoria em RH da Deloitte Touche Tohmatsu

 RH EM SÍNTESE Nº 10 MAI/JUN 1996 - ANO II - PÁGINA 50