. ::. SEÇÕES
. Autoconhecimento
. Benefícios
. Carreiras e Perfomance
. Comunicação e Marketing
. Economia e Tendências
. Educação Corporativa
. Empresas e Negócios
. Entidades
. Gestão e Administração
. Internet e Informatica
. Mr. Vic
. Mercado de Trabalho e
.. Legislação
. Prêmios
. Qualidade e Produtividade
. Recrutamento e Seleção
. Remuneração
. Saúde e Qualidade de Vida
. Treinamento e
.. Desenvolvimento
. ::. CANAIS
. Capa
. Forum
. Sala de Bate-Papo
. Empresas & RH
. ::. SERVIÇOS
. Agenda
. Informações Comerciais
. Conselho Editorial
. Fale Conosco

Mercado estimula salário variável

Os salários fixos dos executivos tendem a se estagnar, acompanhando a inflação. A saída para estimular a produtividade é criar mecanismos de rentabilidade variável

Luiz Gonzaga S. Neto*

O mercado está com os dois pés no chão, cercado de cautelas, por conta das políticas macroeconômicas que devem reduzir o crescimento real da economia do país nos próximos anos. Os salários dos executivos, com raríssimas exceções, também. A última Pesquisa Wisdom de Remuneração, PWR, patrocinada pela Wisdom Gestão Organizacional, fechada em setembro de 1997, aponta, entre outras tendências, para a estagnação da remuneração fixa e para o achatamento da diferença entre o maior e o menor salário dentro das organizações, além da substituição, a longo prazo, da remuneração fixa pela variável (Veja quadro nesta página).

As informações foram coletadas junto a 96 empresas médias e grandes, responsáveis por 9,5% do PIB brasileiro, e abrange os mercados de São Paulo (Capital e Interior), Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Bahia. "A pesquisa é uma referência confiável para o setor de RH das empresas e retrata a realidade da remuneração em dois aspectos: o quantitativo e o qualitativo", explica Amaury Moraes Júnior, consultor da Wisdom. O aspecto quantitativo trata dos números, dos valores pagos e se estrutura em quatro conceitos. O de Salário Base, composto por ganhos fixos mensais, comissões e prêmios; o Total em Dinheiro, formado pelo salário-base acrescido de bônus ou participações nos resultados; a Remuneração Fixa, que é o Salário Base mais o benefício automóvel e outras despesas, e a Remuneração Total, que é soma de todos.

No aspecto qualitativo, são analisadas políticas de recursos humanos, mobilidade funcional, formas de remuneração, contratos e tendências. Entre essas, a de as empresas não mais contratarem funcionários, mas buscar parceiros (sócios). No futuro, estima-se, apenas 1/3 da força de trabalho estará empregada. O resto estará recebendo cerca de 70% a 80% do salário, como remuneração fixa, complementando-a com receita variável, de acordo com a participação nos resultados.

"Os tradicionais programas de mérito estão sendo gradualmente substituídos por programas de competências, onde o colaborador é recompensado pelo seu desempenho na organização", afirma Moraes Júnior. Em muitos casos, a recompensa já é paga em forma de prêmio, não sendo incorporada à remuneração fixa. A pesquisa oferece panoramas e referências nacionais e regionais. O mercado de São Paulo é mais agressivo, pagando até 25% a mais do que se paga em Santa Catarina, por exemplo. "Usamos métodos de pontos e de grades para suprir os clientes usuários da pesquisa com metodologias confiáveis, para uma abordagem regional e nacional", diz Moraes Júnior. Em cima dessa linha, as empresas estabelecem seus programas de remuneração ou ficam com a pesquisa apenas como referência.

O diretor da Wisdom observa que a estagnação do valor do salário fixo, durante o Plano Real, atingiu mais os cargos executivos. A chamada base da pirâmide, trabalhadores ganhando até R$ 1 mil, chegou a ter aumentos salariais reais de até 5%, por ano, e outros ganhos quando da conversão da moeda. Nos cargos com remuneração média, até R$ 2 mil, o ganho real ficou em torno de 2% ao ano. Já os executivos chegaram a amargar perdas de até 1% ao ano. "Antes do Real, o nível superior de remuneração acabava se beneficiando do ativismo sindical e incorporava as reposições garantidas durante as negociações entre sindicatos e empresas. Desde o Plano Real isso não ocorre mais", analisa Moraes Júnior.

Os salários dos executivos são agora monitorados pelas pesquisas e principalmente pela oferta e procura. "Hoje há muitos executivos para poucas vagas", diz o consultor. Mesmo um crescimento da economia entre 2,5% e 3%, projetado para 98, será pouco para absorver a demanda por vagas de alto escalão. Aqui entra a história de a empresa optar por parceiros, em vez de empregados. "Os custos sobre salários ainda são expressivos. Em alguns casos insustentáveis. As empresas passam a dar prêmios que não se incorporam à remuneração fixa", revela Moraes Júnior. Em outras palavras, está se fortalecendo a relação de parceria, quase que de sociedade entre funcionário e empresa.

Serviço: Wisdom Gestão Organizacional (011) 5505-0626

 

REMUNERAÇÃO

Valores Anualizados em R$

Cargo

Salário Base

Bônus (*)

Máximo

Mínimo

Salário Mensal (R$)

Superintendente

314.203,50

4,0

450.522,02

151.983,00

24.169,50

Diretor Financeiro

190.233,00

0

327.213,64

121.784,00

14.633,31

Diretor Comercial

166.335,00

0

304.853,38

112.268,00

12.795,00

Dir. de Marketing

161.095,42

0

247.000,00

96.850,00

12.391,96

Dir. de Engenharia

156.491,00

0

221.718,00

111.272,30

12.037,77

Diretor Industrial

148.237,35

0

246.571,00

76.505,00

11.402,87

Dir. Suprimentos

143.468,00

0

220.018,37

132.743,00

11.036,00

Diretor de RH

137.390,50

0

239.720,78

92.950,00

10.568,50

Diretor Jurídico

137.308,60

0

228.943,00

91.273,00

10.562,20

Diretor (MÉDIA)

172.751,37

2,5

276.284,47

109.736,48

13.288,57

Gerente Jurídico

126.313,30

0

191.800,00

78.286,00

9.716,41

Gerente Industrial

105. 594,32

0

211.042,00

70.136,35

8.122,64

Ger. Suprimentos

98.188,64

0

187.798,00

70.044,00

7.522,97

Gerente Marketing

95.355,00

0

173.472,00

70.418,40

7.355,00

Ger. de Informática

91.554,00

0

175.916,00

70.668,00

7.042,68

Ger. de Qualidade

91.468,84

0

134.277,00

73.080,02

7.036,00

Gerente Comercial

91.388,43

0

200.509,01

70.135,00

7.029,88

Ger. Engenharia

91.245,60

0

128.947,00

65.650,00

7.018,89

Ger. Financeiro

90.737,97

0

208.925,00

70.135,00

6.979,84

Ger. Manutenção

88.816,00

0

153.218,00

70.187,39

6.832,00

Gerente de RH

86.818,42

0

148.237,35

70.055,44

6.678,34

Gerente (MÉDIA)

96.134,59

1,5

174.012,85

70.799,60

7.394,97

(*) Um bônus equivale a um salário

Fonte: Wisdom Gestão Organizacional

RH EM SÍNTESE 19 – NOV/DEZ 1997 – ANO IV – PÁGINAS 50 E 51