| “A acupuntura, tão difundida como medicina chinesa, na realidade é somente uma pequena parte de uma medicina mais completa e milenar” Robson Campos Gutierre* ....Muitas questões me têm sido enviadas por e-mail pelos leitores desta revista. A grande maioria relativa a questões sobre medicina chinesa, principalmente acupuntura. E tenho notado que as questões são muito semelhantes. Por esse motivo, vou dedicar este artigo a estes leitores e muitos outros que com certeza não têm informação suficiente sobre o tema. .... A acupuntura, tão difundida como medicina chinesa, na realidade é somente uma pequena parte de uma medicina mais completa e milenar. A primeira obra escrita data em torno de 300 A.C, o livro Nei Jing, que aborda também técnicas como a massagem, exercícios, ervas, dietoterapia e inclusive a influência das emoções na saúde. ....Somente no século XVII, quando missões jesuítas saíam ensinando o cristianismo pelo mundo, um padre jesuíta que havia ido à China resolveu publicar um livro relatando sua experiência sobre uma técnica muito interessante, em que os chineses aplicavam agulhas para tratar distúrbios. Formou então, a partir do latim acnus - agulha + punctura - picada, o termo acupuntura. Ficou assim erroneamente divulgado que a medicina dos chineses consistia em aplicar agulhas. ....Na realidade, esta medicina está baseada num sistema de diagnóstico próprio, fundamentada em abordar o ser humano em constante relação com o meio ambiente, respondendo com saúde quando segue as regras naturais e com doença quando não se age em harmonia com seu organismo e seu meio. O médico, após executar o diagnóstico, seleciona as técnicas mais adequadas para tratamento, que podem incluir até mesmo a acupuntura, mas ela também tem contra-indicações e ele pode utilizar, por exemplo, as ervas medicinais ou outros exercícios chineses (Qigong), a dietoterapia ou a massagem diretamente nos pontos de acupuntura. .... A própria medicina chinesa indica cirurgia em alguns casos e, por incrível que pareça, o anestésico cirúrgico já era utilizado na China entre os anos 220 e 265 D.C. A partir de 1949, com a fundação da República Popular da China, iniciou-se uma grande integração entre a medicina ocidental e a chinesa. Grandes avanços foram obtidos. A Medicina Tradicional Chinesa, como é denominada, não possui nada de esotérico ou místico. Aliás, o próprio governo chinês combate essa abordagem que tanto mal causou à sua medicina no passado e que também no ocidente foi combatida. Os antigos “médicos” ocidentais sangravam pacientes para expulsar maus espíritos. Portanto, um conselho: procure sempre alternativas que levem a resultados concretos e confiáveis. Cada um tem suas crenças e religiões e às vezes se voltam para elas quando parece que nada mais resolverá seu problema. Mas na questão da saúde a ciência não deve dar lugar à crença. Combine as duas e com certeza os resultados serão bons. Algumas pesquisas muito sérias comprovaram efeitos benéficos na saúde pela prática da oração. Mas, como se diz: “Cada macaco no seu galho.” Ore, mas vá ao médico. A fé vai ajudá-lo. O médico também. .... E quanto às indicações da Medicina Tradicional Chinesa, elas são as mais variadas: nos distúrbios neurológicos, pediátricos, geriátricos, ginecológicos, endócrinos, ortopédicos e muitos outros. Porém, a própria China combina medicina oriental e ocidental. O antibiótico, vacinas, ressonância magnética, exames laboratoriais, insulina e muitas outras grandes e importantes descobertas não foram feitas na China. E não se esqueça que o estresse é fator comum na condição de saúde das pessoas atualmente, e as técnicas chinesas são muito eficazes nesse caso. ....Mas as causas do estresse podem ser várias, e talvez uma terapia psicológica, um curso de relaxamento ou mesmo aprender a administrar o tempo podem ser úteis para resolvê-las. E também não se esqueça: até ter consciência de cidadania e votar conscientemente pode evitar estresses futuros. A vida deve ser analisada em seu contexto global e, no caso da saúde, a abordagem melhor é a multidisciplinar. Não entregue sua saúde a gurus, entregue ao bom senso e à ciência. * Robson Campos Gutierre é professor de Medicina Chinesa Aplicada ao Esporte do curso de pós-graduação em Psicologia do Esporte da UNIFMU e presidente internacional do Instituto Internacional de Medicina Tradicional Chinesa - e-mail: info@medicinachinesa.com.br RH EM SÍNTESE Nº 36 - ANO VI - SET/OUT 2000 - PÁGINAS 16 e 17 |