| A rapidez e a grande variedade de informações, especialmente por causa da Internet, está mudando a visão das empresas em relação aos seus negócios O conforto que é proporcionado ao ser humano em decorrência da evolução tecnológica tem seu preço. Muitos postos de trabalho foram extintos e substituídos por máquinas de última geração. Dessa forma, para aqueles que conseguem permanecer no emprego a palavra de ordem é adaptação às mudanças. O seminário "Tecnologia da Informação: O ‘Estado da Arte’, o Futuro e seu Impacto no Ser Humano", promovido recentemente pela ADP Systems em São Paulo, tratou dos principais fatos da tecnologia da informação e como as empresas e pessoas reagem ao seu impacto. Há alguns anos seria quase impossível pensar na possibilidade de fechar contratos, participar de reuniões, e adquirir informações com alguém na Austrália, sem sair do próprio escritório ou de casa. Hoje tal realidade é apenas uma pequena parte do que a Internet, a rede mundial de comunicação, é capaz. Segundo Paulo Roberto Porto Castro, diretor de pesquisa e desenvolvimento da Nutec Informática, a estimativa é de que existem 60 milhões de usuários da rede no mundo. "Em 96, havia no Brasil cerca de 400 mil usuários. Para o final de 97, a estimativa é que esse número alcance 1 milhão de usuários", avalia Castro. Ele acrescenta que o dinheiro movimentado no comércio eletrônico, através da Internet, poderá alcançar US$ 3,5 bilhões no ano 2000. Os números, que crescem em velocidade impressionante, medem uma parcela do poder da rede. A grande variedade de informações, a dificuldade em censurá-las e um custo plausível para ter acesso a estas são outros destaques. Assim, a cada dia, mais lares e empresas se conectam a esse novo meio de comunicação. A Intranet, que é o uso da tecnologia da Internet dentro da empresa, tem diversas aplicações, como o correio eletrônico, reuniões virtuais, consultas ao banco de dados, entre outros. "O resultado é a comunicação instantânea e atualizada, o que permite a economia de custos e tempo", explica Castro. Nesse contexto, o papel da transformação tecnológica tem sido preponderante na transição da organização institucional para a organização de negócio, segundo Luiz Carlos Cabrera, diretor da PMC-Amrop International, especializada na contratação de executivos. "As empresas adotaram como modelo de desenho organizacional o padrão institucional que reproduzia alguns valores familiares como forte poder decisório, controle dos colaboradores e relação de dependência. O tripé que sustentava a área de RH era emprego, cargo e salário. O foco era o cargo e não a pessoa", analisa Cabrera. Mas com o crescimento do impacto tecnológico, a gestão institucional passou a se comportar como um negócio, que compartilha o poder e faz parceria com fornecedores e concorrentes. Segundo Cabrera, tal estrutura exige um novo tipo de vínculo. Neste, a empresa oferece desafios contínuos aos profissionais, que respondem com competência atualizada e a comunicação é transparente. "Os sistemas convencionais de cargos e salários medem a experiência, que vale pouco. A moeda agora é a competência para saber lidar com as informações, pessoas e tecnologias", enfatiza Cabrera. Para ele, a transição está em curso e é inevitável, mas muitas organizações não conseguem fazê-la, pois no momento o foco é a pessoa. "O modelo da organização como negócio é muito mais tenso e dinâmico do que o institucional, que tinha uma taxa maior de conforto, mas seria inviável pela nova forma de economia", diz. Na fase de transição o que faz a diferença é o conhecimento e a capacidade de transmiti-lo. Na opinião de Cabrera, são premissas de mudança a competência emocional, ter autoconhecimento e auto-estima. O resultado de toda essa evolução, que exige do ser humano um maior esforço para garantir sua sobrevivência, já está aparecendo. Serviço: ADP Systems (011) 225-4311 RH EM SÍNTESE 16 - MAI/JUN 1997 - ANO III - PÁGINA 38 |