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Confiança e trabalho em equipe

*José María Gasalla

O trabalho em equipe é reconhecido como um poderoso instrumento para o ganho de performance das organizações. Por conta disso, ultimamente, muito se tem falado sobre como formar equipes produtivas, como tornar mais fluida a comunicação entre as pessoas, como favorecer a integração no ambiente de trabalho, etc. Pouco se fala, porém, de um aspecto fundamental para a eficiência das equipes: a confiança.

Se não parece difícil assimilar a idéia de que confiança é fundamental para o trabalho em equipe, o mesmo já não se pode dizer sobre pôr essa idéia em prática. Confiar implica colocar-se em situação de vulnerabilidade perante aquele em quem se confia, acreditando em suas boas intenções e que ele fará a coisa certa.

Por uma questão de economia emocional e autopreservação, as pessoas não saem confiando abertamente em todos que cruzam seu caminho; longe disso, têm critérios muito pessoais e subjetivos, desenvolvidos ao longo da vida, que as levam a decidir confiar ou não. Some-se a isso o fato de que o ambiente empresarial é competitivo, refletindo a realidade do mercado de trabalho e do próprio mundo em que vivemos, e constatamos o quanto a questão é complexa.

Por todas essas razões, a idéia de fomentar a confiança entre os membros de uma equipe provoca a inevitável pergunta: como fazer para que as pessoas confiem mais umas nas outras? É certo que a disposição em confiar varia de uma para outra, mas poderíamos dizer que todas são propensas a isso, desde que reconheça no outro certos comportamentos que o qualificam como um indivíduo confiável. Trata-se, portanto, de valorizar e estimular a adoção desses comportamentos, que são:

Competência - Conjunto de habilidades, talentos e características que permitem à pessoa ter influência em determinado campo de atuação

Transparência - A atitude de dizer a verdade e colocar sinceramente as expectativas que se tem em relação ao outro.

Cumprimento das metas - Trata-se de realizar o que se prometeu ou comprometeu a fazer. Consistência - É a característica da pessoa cujas atitudes estão alinhadas com um histórico de condutas passadas.

Comprometimento - Uma pessoa comprometida atua com auto-responsabilidade, seriedade e empenho em atingir os resultados esperados.

Coerência - Coerente é a pessoa que faz aquilo que prega, que considera bom para os outros o que considera bom para si mesma.

Cumplicidade - Trata-se de criar algo em comum com o outro, uma relação de parceria e lealdade na qual os objetivos e motivos estão implícitos.

A confiança predispõe as pessoas a abrir-se para ouvir e compreender o outro, o que lhes permite criar canais de comunicação, avaliar suas capacidades e assumir uma postura que favorece relacionamentos baseados no ganha-ganha. É por meio dessas atitudes que se consolida a cooperação, sustentada na crença de que ninguém atinge um objetivo sozinho e, sim, que todos os membros da equipe o atingem juntos. Constituem-se, assim, equipes caracterizadas pela coesão e pela fluidez dos processos internos, o que sem dúvida tem um impacto sobre seus resultados - não só os relacionados ao trabalho, como produtividade e rendimento, mas também os de caráter psicossocial, tais como motivação, bem-estar e satisfação.

*José María Gasalla é engenheiro Aeronáutico e Doutor em Ciências Econômicas e Empresariais pela Universidade Autônoma de Madrid (UAM). Atualmente, é diretor do Programa Direção Estratégica de Pessoas e Negócios do Esade (Escola de Negócios) - Madrid, perito na Agência Nacional de Avaliação Científica e Acadêmica (Aneca), professor na Universidade Autônoma de Madrid e avaliador do Processo de Certificação de Coachs Profissionais e Executivos da Associação Espanhola de Coaching (Aecop).