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Salários e benefícios geram produtividade

Estudo da Deloitte Touche Tohmatsu mostra ser um grande negócio tratar bem os funcionários. Com a melhora dos salários, benefícios e qualidade de vida, a produtividade tende a crescer

....Pesquisa sobre políticas, práticas e tendências na administração de recursos humanos, remuneração e benefícios do mercado, coordenada pela Deloitte Touche Tohmatsu, conseguiu, pela primeira vez, mensurar a importância da melhoria da qualidade de vida nas empresas para a expansão dos negócios. O levantamento foi feito com 201 empresas dos mais variados segmentos econômicos de todas as regiões do Brasil, responsáveis por um faturamento global de US$ 61 bilhões (nada menos que 11% do PIB brasileiro de US$ 554,9 bilhões em 99) gerados por suas 353 unidades que empregam quase 500 mil funcionários distribuídos por 297 cargos.

....Essa é a primeira vez que a Deloitte resolveu incluir o item qualidade de vida entre as preocupações da pesquisa. “Qualidade de vida não significa apenas a criação de academia de ginástica no interior da empresa”, ressalva o consultor da área de gestão do capital humano da Deloitte Touche Tohmatsu, Adilson Araújo dos Santos, um dos coordenadores da pesquisa. “O conceito empregado pela pesquisa é mais amplo. Envolve desde o fundamental, como o conjunto de benefícios oferecidos pelas empresas (muitos deles, por sinal, passaram a ser flexíveis ou optativos), até a contribuição da empresa à sociedade, por meio de filantropia ou campanhas sociais”, define Santos.

... Segundo o consultor, uma das principais conclusões do estudo de 500 páginas é que vale a pena as empresas cuidarem melhor da sua força de trabalho. Do lado empresarial, houve um importante ganho de produtividade de 30,44% em média em relação ao ano anterior. Em contrapartida, para os funcionários, tal desempenho favorável acabou contribuindo para um aumento real de salário, de benefícios e dos itens que compõem a qualidade devida. Na média da amostragem (297 cargos), os salários chegaram a ser reajustados 4% acima da inflação no período.

.... Nos casos de diretores e presidentes, em que a remuneração variável tem um peso maior, o ganho real médio foi de 2,6%. Outro fenômeno captado pela pesquisa é o rápido crescimento da remuneração variável entre os executivos. Apenas com bônus e participação em resultados, os executivos já conseguem receber entre seis e sete salários além dos 13 normais. As empresas envolvidas na pesquisa foram 21% de pequeno, 35% de médio e 44% de grande porte – têm como origem principal de capital o nacional privado (52,7%); americano (18,6%); alemão (10%); francês (3,1%); inglês (3%) e outros países (3,1%). Por região, 40% das empresas estão localizadas em São Paulo; 16% no Nordeste; 15% no Sul (PR/SC/RS); 12% no Rio de Janeiro e no Espírito Santo; 11% em Minas Gerais e Centro-Oeste; e 6% no Norte.

Benefícios
Uma das novidades revelada pela pesquisa é a prática de benefícios flexíveis, já adotada por 5% do universo pesquisado. Por esse novo sistema, os funcionários podem escolher os benefícios que irão, efetivamente, utilizar. A pesquisa revela que 99% das empresas concedem algum tipo de plano de assistência médica, com 100% do custo do plano básico subsidiado pelo empregador. A assistência odontológica é oferecida por 54% das empresas que subsidiam, em média, 84% do custo de planos conveniados.

....O convênio farmacêutico para a compra de remédios com desconto já é adotado por 65% das empresas. A metade destas empresas também oferece, geralmente para os executivos (presidência, diretoria e gerentes), o check-up completo de sua saúde, assumindo 100% dos custos. A quase totalidade concede assistência-alimentação, sendo que 50% das empresas possuem restaurante contratado, subsidiando 82% do seu custo. O seguro de vida básico também é adotado pela grande maioria (90%) das empresas. Em geral os planos básicos são totalmente custeados pela companhia e administrados por seguradoras.

....O transporte de funcionários é um benefício oferecido por 52% das empresas. Em média, 79% das participantes desta amostragem concedem a determinados cargos executivos um automóvel para utilização particular e a serviço. As empresas assumem ainda os custos com combustível, manutenção e seguro do veículo. Outra tendência claramente captada pela pesquisa é a adoção da previdência privada, que oferece benefícios complementares aos concedidos pela previdência social, assegurando ao funcionário a preservação de sua qualidade de vida nas situações de aposentadoria, doença ou invalidez.

.... Segundo o levantamento, 43% da amostra pesquisada possui algum tipo de plano e 9% estuda viabilidade de implantação. Ainda em relação à aposentadoria, 15% das empresas reconhecem já terem adotado algum tipo de programa formal de assistência aos funcionários aposentados, entre eles assistência médica (95%); confraternização anual (37%); seguro de vida (32%); assistência odontológica (32%) e medicamentos (16%). Também é importante a preocupação das empresas com os funcionários antes da aposentadoria. Entre as empresas pesquisadas, 13% informam que possuem programas formais (8% já estudam a implantação) de preparação para a aposentadoria, como assistência psicológica, para evitar traumas e problemas de adaptação do funcionário à nova realidade de vida antes e depois do seu afastamento do trabalho.

Salários
Outra tendência antecipada pela pesquisa anual da Deloitte Touche Tohmatsu é o rápido crescimento da remuneração variável. Como forma de incentivo, as empresas estão adotando sistemas de prêmios (31% do universo pesquisado) e bônus anuais (50%) por objetivos atingidos ou por habilidades e competências (16%) e ainda stock option ou ações (8%).

....Para os executivos, a prática de remuneração variável adotada pela maioria das empresas tem como base para a concessão metas de desempenho e resultados alcançados. A forma de pagamento dos bônus é predominantemente anual e geralmente de acordo com o cargo. O número médio de salários ao ano, conforme os cargos, é de 4,79 para a presidência; 3,83 para a diretoria; 3,01 para a gerência de primeira linha; 2,55 para a gerência de segunda linha e 1,94 para a chefia/supervisão.

.... Além dos bônus, outro benefício é a participação nos lucros ou resultados. O número de empresas que implantaram um plano formal de participação nos lucros ou resultados já chega a 58% dessa amostra. Os valores distribuídos, em número médio de salários ao ano, conforme os cargos, são de: 2,26 para a presidência; 2,24 para a diretoria; 2,4 para a gerência de primeira linha; 1,85 para a gerência de segunda linha e 1,43 para a chefia/supervisão.

.... Para gerenciar todas estas alternativas de benefícios e remuneração variável, as empresas começam a adotar software para a gestão de recursos humanos. Cerca de 15% das empresas da amostragem já implantaram alguma ferramenta específica de gestão de recursos humanos, e 26% estão estudando sua adoção. Outra surpresa da pesquisa é que 84% das empresas utilizam serviços externos para recrutamento e seleção de executivos. O levantamento também detecta um elevado grau de preocupação das empresas com a formação, qualificação e reciclagem de seus profissionais. A relação entre horas treinadas e trabalhadas fica em 2,03%, o que representa uma média de 40 horas de treinamento ao ano por funcionário.

Produtividade
Em contrapartida, o resultado em ganho de produtividade foi palpável: na média geral cada funcionário pertencente a este bloco de empresas foi responsável pela geração de US$ 226,2 mil de faturamento no período. A produtividade em todos os setores pesquisados – químico, petroquímico, farmacêutico, borracha e plásticos, metalúrgico, mecânico, automotivo, siderúrgico, mineração, vidraria e cerâmica, elétrico, eletrônico, telecomunicações, informática, financeiro, seguros, administração de crédito, alimentício, bebidas, fumo, papel, celulose, imprensa, gráfica, madeira, engenharia, projetos, construção, concretagem, transportes, têxtil, fiação, tecelagem, vestuário, couro, serviços, comércio e entretenimento – cresceu 30,44% no período, de julho de 1999 a junho deste ano, quando convertido em reais.

....Pela ordem, a produtividade (segundo o conceito faturamento médio anual por funcionário) foi maior no setor eletroeletrônico, que inclui telecomunicações e informática, com variação positiva de 113,98% (de R$ 367,7 mil passou para R$ 786,9 mil por funcionário); químico (crescimento de 78,59% ou de R$ 539,02 para R$ 962,66 mil por trabalhador); alimentos (39,51%, passando de R$ 262,46 mil para R$ 366,17 mil) e papel e celulose, com alta de 23,01%, com o faturamento por funcionário passando de R$ 232,34 mil para R$ 285,80 mil. A produtividade foi negativa nos setores metalúrgico (menos 8,02%, decrescendo de R$ 238,40 para R$ 219,27 mil) e têxtil (menos 7,80%, diminuindo de R$ 80,50 mil para R$ 74,22 mil por funcionário).

....O campeão de aumento real de salários desde o início do Plano Real entre os cargos executivos é o diretor de informática, com elevação de 39,9%, informa a pesquisa da Deloitte Touche Tohmatsu. Em seguida aparecem diretores de compra/suprimentos e logística, com valorização real de 30,15%; os presidentes, mais 22,2%; diretor jurídico, com alta de 20,93%; diretor de recursos humanos, mais 20,5%; e diretor administrativo e financeiro, mais 18,75%.

Serviço: Deloitte Touche Tohmatsu (11) 3150-1800 - www.deloitte.com.br

RH EM SÍNTESE Nº 37 - ANO VII - NOV/DEZ 2000 - PÁGINAS 03 a 05