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Entrevista
com Elza Veloso
Empresas de sucesso são
socialmente responsáveis, têm alto índice de felicidade
e atraem pessoas que se sentem orgulhosas em participar
de seus quadros.
A pesquisa da FIA-USP,
desenvolvida para as revistas Exame/Você S/A é fundamentada
num conjunto de seis indicadores relevantes para avaliar
a qualidade das práticas de gestão de pessoas: responsabilidade
social e ambiental, remuneração e benefícios, carreira
profissional, educação, integridade do trabalhador e
saúde. “O que se percebe é que as empresas socialmente
responsáveis acabam conseguindo que os empregados se
identifiquem mais com elas. Eles sentem mais orgulho
em trabalhar em organizações que respeitam as comunidades,
são solidárias e oferecem um bom ambiente. Essas companhias
servem como uma espécie de espelho para o mercado. As
empresas, por sua vez, também acabam buscando gente
que acredita nisso”, afirma Elza Veloso, professora
do Mackenzie, da PUC-SP e consultora técnica do Guia
As Melhores Empresas para Você Trabalhar, da FIA-USP.
Nesta entrevista, ela fala sobre a pesquisa:
Gestão&RH: Qual
é a metodologia aplicada nas pesquisas para eleger as
melhores empresas para se trabalhar?
Elza Veloso: Para
participar da pesquisa, as empresas devem ter, no mínimo,
cem empregados, com vínculo empregatício e cinco anos
de operação no mercado. A pontuação final das empresas
corresponde ao IFT (índice de felicidade no trabalho),
composto da seguinte forma: 70%, percepção das pessoas
sobre diversos fatores do seu ambiente de trabalho (pontuação
obtida no formulário respondido pelos empregados das
empresas participantes), que corresponde à nota do IQAT,
índice de qualidade do ambiente de trabalho; 25%, práticas
de gestão de pessoas da empresa (pontuação obtida pelas
respostas da empresa ao questionário sobre suas práticas
de gestão), que corresponde à nota do IQGP, índice de
qualidade da gestão de pessoas; 5%, visita do jornalista
à empresa para avaliação qualitativa.
As empresas que atingem a nota de corte predeterminada
(originada no IQAT) e a amostra mínima de respostas
dos seus empregados são pré-classificadas e recebem
a visita do jornalista da Você S/A. Após apuração do
IQGP e atribuição da nota da visita, é realizada uma
reunião de consenso entre a equipe da FIA e os jornalistas
da Você S/A, em que são definidas as “10 Melhores” e
as “150 Melhores Empresas para se Trabalhar”.
Gestão&RH: Como
aplicar a mesma metodologia das pesquisas para fazer
o ranking das “Melhores” em pequenas, médias e grandes
empresas? Como equilibrar essas diferenças?
Elza Veloso: O Guia
abrange todas as empresas participantes, independentemente
do porte. Não há discriminação das empresas por número
de empregados ou qualquer outro critério. As avaliações
das particularidades, normalmente, são tratadas em matérias
especiais do Guia e no sumário executivo, o documento
que a empresa recebe gratuitamente, que demonstra sua
performance na pesquisa e que permite a comparação de
seus resultados com os de outras empresas do mesmo porte,
entre outros fatores.
Gestão&RH: Por
que colocar a Masa, da Amazônia, em primeiro lugar e
não o Banco Real, com 30 mil colaboradores? Seguir a
proporcionalidade para elencar as empresas gera desconforto
entre os executivos?
Elza Veloso: De
acordo com os critérios expostos acima, as empresas
participam em iguais condições e são eleitas com base
em desempenho, e não em proporcionalidade de número
de empregados. Esses critérios são aprovados pelo Conselho
Consultivo do Guia, formado por profissionais de RH
de empresas que figuram no Guia há sete anos, incluindo
o último ano de publicação. Neste ano, o prêmio especial
Desafio de RH (recebido pelo Banco Real–ABN Amro) destacou
a complexidade da gestão a partir de vários critérios,
inclusive o número de empregados.
Gestão&RH:
Qual o peso das práticas de cidadania e responsabilidade
social na avaliação?
Elza Veloso: O peso
das práticas de cidadania e responsabilidade social
na avaliação é 20% na composição do IQGP — índice que
mostra a avaliação das práticas de gestão de Recursos
Humanos da empresa.
Gestão&RH: Durante
a realização da pesquisa, são encontradas falhas na
gestão? Quais os problemas mais comuns?
Elza Veloso: Sem
dúvida, aparecem problemas. Os pontos mais mal avaliados
na percepção dos empregados indicam insatisfação referente
à remuneração e participação nos lucros da empresa,
ao volume excessivo de trabalho e aos critérios de promoção
e carreira adotados pelas empresas. Já nas questões
colocadas às empresas, apresentou-se um equilíbrio entre
os fatores apurados, porém nota-se que as empresas enfrentam
vários desafios na gestão de pessoas.
Gestão&RH: Além
dos resultados, que são publicados pela imprensa, a
FIA oferece informações específicas às empresas, visando
melhorias futuras?
Elza Veloso: Sim,
as empresas que atingem pelo menos 90% da amostra mínima
(esse número é estabelecido de acordo com um algoritmo,
variando em relação ao número total de empregados) recebem
um sumário executivo, com informações consolidadas do
seu desempenho, permitindo sua comparação com empresas
do mesmo porte, ramo de atividade, região de atuação,
salário médio, tempo de operação e com as 150 empresas
classificadas. Com esse documento, as empresas podem
analisar os resultados do mercado, dependendo do contexto,
e implementar mudanças para melhorar a posição da organização.
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