| A FEA/USP cria o Semead - Seminários em Administração, onde os estudantes de mestrado e doutorado podem apresentar e debater seus trabalhos em várias áreas, entre elas a de recursos humanos Lucilene Faquim Com o objetivo de promover a divulgação dos trabalhos científicos desenvolvidos pelos alunos de mestrado e doutorado em administração e estimular a reflexão sobre as tendências e oportunidades existentes para pesquisa acadêmica nas diferentes áreas da administração, a FEA/USP criou o Semead - Seminários em Administração, que reuniu 56 estudos. O evento que integra as comemorações do cinqüentenário da entidade de ensino foi organizado pelo programa de pós-graduação em administração, onde os participantes puderam apreciar os temas de fomento à pesquisa, processos administrativos na conjuntura brasileira, administração de serviços e produção acadêmica. O I Semead, realizado recentemente, abrange sete áreas: administração geral; finanças; marketing; métodos quantitativos e informática; operações; política dos negócios e economia de empresas; e recursos humanos. Na área de RH, Marisa Pereira Eboli apresentou no seminário o trabalho "Modernidade nas Organizações: Uma Discussão Teórica", que abrange as relações entre a modernidade no âmbito da sociedade e a modernidade organizacional, fazendo a transposição dos conceitos de um nível para o outro. O estudo partiu do pressuposto que a organização moderna é aquela que possui políticas e práticas de gestão que atraem, mantêm e desenvolvem os profissionais. "Para isso, é preciso avaliar o grau de modernidade dos seus gestores", diz Marisa. Segundo ela, neste processo é fundamental estabelecer indicadores tanto da modernidade organizacional como individual. "Através da identificação e seleção das principais variáveis do assunto é que podemos avaliar de forma abrangente a modernidade na gestão empresarial". Entre suas colocações, Marisa destaca a necessidade das empresas modernas em criarem condições favoráveis para que o perfil adequado seja difundido dentro do processo organizacional. "No momento atual é essencial que a empresa tenha políticas administrativa, social, econômica, cultural e tecnológica bem equilibradas", argumenta. No estudo foi percebido também que há uma estreita relação entre modernidade e competitividade, sendo que a empresa só será competitiva quando o ser humano for valorizado. "Hoje, as organizações não podem apenas pensar em aspectos técnicos, mas também nas pessoas para que haja um maior aproveitamento de sua criatividade e produtidade", relata Marisa. Entre os trabalhos apresentados no I Semead, as ações para a implantação de melhorias e inovações gerenciais e tecnológicas no ambiente de trabalho são o foco da proposta da professora Ana Cristina Limongi França, que é tornar a qualidade de vida como ferramenta gerencial construída dentro da cultura organizacional. Ela apresentou em seu estudo, "Qualidade de Vida no Trabalho: Conceitos, Abordagens, Inovações e Desafios nas Empresas Brasileiras", que a construção da qualidade de vida no trabalho ocorre a partir do momento em que empresas e pessoas envolvidos no processo são vistas como um todo. "É importante valorizar o que as empresas fazem por determinação legal, mas é preciso mudar os status destas ações, tornando-as mais planejadas e gerenciais", diz. Para a professora, a qualidade de vida envolve critérios organizacionais, biológicos, psicológicos e sociais que permitem uma visão integrada do bem-estar das pessoas e da saúde da própria empresa. O trabalho mostra que os programas de qualidade de vida no trabalho podem contribuir para implementar ações, políticas e programas em maior sintonia de gerenciamento e visão estratégia entre as demandas tecnológicas e mercadológicas. A proposta do estudo, de estimular a reflexão sobre questões ligadas à qualidade de vida no trabalho, veio concluir que a construção dos programas só será possível no momento em que empresa e pessoas são vistas pelo enfoque biopsicossocial. Este posicionamento representa, segundo Ana Cristina, o fator diferencial para a realização de diagnósticos, campanhas, criação de serviços e implantação de projetos voltados para a preservação e desenvolvimento das pessoas na empresa. Entre os aspectos levantados no estudo, o tema foi analisado através dos sistemas de qualidade que envolve as políticas e programas de qualidade total, certificação ISO 9000 e outros métodos e práticas gerenciais de satisfação do cliente. Quanto a abordagem sobre o potencial humano, foi avaliada a capacitação, motivação e desenvolvimento profissional da força de trabalho. Já a abordagem sobre saúde e segurança do trabalho envolveu a preservação, prevenção, correção ou reparação de aspectos humanos e ambientais que neutralizam riscos na condição de trabalho. Ana Cristina concluiu, em sua pesquisa, que as empresas que optaram pela modernização, implantando projetos de qualidade, procuram uma gestão de recursos humanos diferenciada, que valorize cada pessoa e que esta esteja atenta à qualidade de vida, que seja criativa, inovadora e participativa. O I Semead trouxe também a discussão sobre os conceitos e práticas da qualidade total e da administração de recursos humanos em empresas brasileiras. O trabalho "O Papel da Administração de Recursos Humanos na Qualidade Total" avaliou empresas do setor químico com programas formais de qualidade total e certificadas pela ISO 9001. A pesquisa, que foi desenvolvida pelos mestrandos Silvia Márcia Russi De Domenico e Lindolfo Galvão de Albuquerque, procura mostrar as influências da área de RH sobre os princípios da qualidade total. "A área sofre tanto na adequação de suas estrutura interna, definindo sua missão e novas formas de alcançar a qualidade total, quanto dirige políticas e práticas que facilitam o gerencimento das mudanças da cultura organizacional", destaca Silvia. Com a pesquisa percebeu-se que nas empresas analisadas o papel da administração de recursos humanos constitui-se em condicionar e impulsionar as transformações. Neste sentido, como apresenta o estudo, as áreas da qualidade e de recursos humanos devem caminhar sempre juntas, pois possuem os mesmos objetivos organizacionais. Os resultados do estudo foram obtidos através do levantamento e da análise dos aspectos macrorganizacionais, que tratam da questão da competitividade sob o ponto de vista das empresas sobre sua missão, valores e visão de mercado, além de serem abordadas a estrutura organizacional e as características do processo de planejamento, procurando identificar o envolvimento da área de RH na definição de estratégias. Outros aspectos abordados foram o processo de qualidade e as funções de administração de recursos humanos. Serviço: FEA/USP (011) 818-5834 RH EM SÍNTESE 13 NOV/DEZ 1996 - ANO II - PÁGINAS 44 E 45 |