| Quando o Estado não cumpre com a sua parte e as empresas se vêem às voltas com a globalização e aumento de produtividade, forma-se um impasse: ou elas assumem a educação e o desenvolvimento de seus colaboradores ou passam a perder espaço no setor em que atuam Cristina Sanches "O estudo é a chave para o crescimento". "Um país jamais se desenvolverá se não tiver entre suas prioridades a educação". Essas são apenas duas das frases ouvidas constantemente pela maioria das pessoas, mas que exprimem apenas uma vontade, e não uma ação. Quando o Estado falha, e essa falha começa a prejudicar a competitividade das empresas, elas resolvem buscar alternativas próprias. Mas muitas vezes o Estado ainda consegue punir quem deseja fazer alguma coisa, como foi o caso de um empresário do Rio Grande do Sul que foi multado por custear os estudos de seus funcionários, porque os gastos com educação eram considerados remuneração indireta, e deveriam ser somados ao salário de cada um para efeitos de cálculo de contribuição social devida ao INSS. Hoje esse quadro está mudado. Desde dezembro de 97, através da Lei 9.528, os valores despendidos com a instrução dos funcionários não são mais levados em conta para cálculo de contribuição social, desde que a empresa estenda o benefício a todos os empregados. Alívio para aqueles que encaram a educação como fundamental. Porém, com ou sem esse "apoio" do governo, as empresas investem praticamente os mesmos valores de antes em formação de sua mão-de-obra, já que a maioria delas custeia os cursos sem que seu funcionário receba o valor em dinheiro. "Esse problema foi enfrentado por aquelas empresas que ofereciam bolsas de estudo. Para nós não houve nenhuma dificuldade, uma vez que o empregado não recebe nada além de seu salário", afirma José Emídio Teixeira, gerente de relações sociais e educação da Rhodia. Contratar pessoal sem o 1º grau já é quase uma raridade, e isso tem ajudado a aumentar o número de matrículas e reduzir a evasão de alunos, informou o ministro da Educação, Paulo Renato de Souza, durante o seminário "Brasil 500 - Como se muda um país através da educação", realizado em meados de abril, em São Paulo, pela Rede Globo. Segundo dados do Ministério da Educação e Cultura (MEC), o Brasil tem hoje algo em torno de 51,5 milhões de estudantes, o equivalente a um terço de sua população, distribuídos da seguinte maneira: 34,2 milhões no ensino fundamental (antigo 1º grau); 5,7 milhões na pré-escola ou em classes de alfabetização; 6,4 milhões no ensino médio (antigo 2º grau); 2,9 milhões no ensino supletivo; 1,9 milhão no ensino superior e 300 mil na educação especial (pessoas portadoras de deficiências). Em 1997, segundo o ministro, cresceu 11% o número de matrículas para o 2º grau no Estado de São Paulo, enquanto a evasão escolar caiu 2,5% no mesmo período. Mesmo assim é grande o número de crianças que continua fora da escola na idade entre 7 e 14 anos. Segundo dados do MEC, esse número chega a 2,7 milhões de crianças. O cientista social e antropólogo Alvin Toffler, que ministrou palestra no seminário "Brasil 500", disse que é necessário que todos – governo, sociedade e entidades – se mobilizem em prol do ensino básico. Vale lembrar, acredita ele, que o aprendizado não acontece apenas na escola. "Cada comunidade tem seus próprios problemas, e isso faz com que elas busquem soluções das mais diversas na resolução dos mesmos. A crise da sala de aula não será apenas resolvida na sala de aula, mas sim através das escolas públicas e privadas e de toda a comunidade", enfatiza. Na opinião de Tofler, não é só o Brasil que apresenta problemas educacionais por questões como falta de recursos. Segundo ele, os Estados Unidos, que aplicam US$ 10 mil ao ano por aluno, possui um dos piores desempenhos na área educativa. "A escola na América Latina sofre um processo de descaso e está aquém das necessidades exigidas para o progresso social de todo o continente", complementou Jeffrey Puryear, especialista norte-americano em educação que também esteve presente ao seminário "Brasil 500". Na sua opinião, a educação é uma questão muito mais política do que técnica ou institucional, e as mudanças que precisam ser realizadas nesse item necessitam de decisão política. Alguns problemas apontados por Puryear que contribuem para o desgaste da educação nos países latino-americanos são a baixa qualificação dos professores e erros pedagógicos que acabam por privilegiar a memorização dos textos, não estimulando os alunos a pensar. Junte-se a isso o fato de que as pesquisas realizadas pelos governos, analisa Puryear, medem apenas o número de alunos que estão nas escolas, quantos são aprovados, número de professores, quanto foi gasto durante um ano, mas não fazem o principal, que é a mensuração do aprendizado. Puryear destacou como uma das saídas para esse problema que assume proporções gigantes, a parceria entre empresas e governo em prol da melhora do ensino. A ajuda que as organizações podem oferecer é simples. Segundo ele, a idéia, que já funciona nos Estados Unidos há algum tempo, é de que as empresas colaborem na reforma do processo educacional, melhorando a habilidade dos professores, promovendo cursos de reciclagem e discutindo novos métodos de ensino. Não basta que as empresas ofereçam ajuda financeira às escolas. Elas também podem contribuir com a sua experiência no processo educacional e influenciar pessoas envolvidas na área a longas discussões. "As empresas pensam diferente das escolas públicas. Buscam inovações, têm flexibilidade, sabem gerenciar diferenças, trabalham com qualidade total, delegam responsabilidades, sabem medir desempenho, descentralizar, fazer abordagens competitivas e atuar com disciplina no mercado. Enfim, têm idéias que podem revolucionar a educação. É uma abordagem que tem na outra ponta o mercado de trabalho", acrescenta Puryear. Diante da dura realidade de que a escolaridade média dos cerca de 71 milhões de brasileiros que compõem a população economicamente ativa do país é de 3,8 anos – um dos mais baixos do mundo (e destes, 17% não sabem ler nem escrever), as empresas que investem em educação descobriram que é clara a melhora da produtividade e competitividade quando o funcionário passa a ser uma prioridade. Não importa o curso e nem a maneira como ele é oferecido. Dados do Ministério do Trabalho indicam que o contingente de pessoas analfabetas ou subescolarizadas empregadas hoje nos diversos setores da economia é superior aos 10 milhões. Em todo o país o número de analfabetos adultos chega a 16 milhões, e pouco mais de 1% da população brasileira consegue chegar à universidade, segundo o MEC. E o pior: esse é o mesmo percentual dos anos 60. O alto índice de repetência é um dos piores problemas com o qual o governo brasileiro se defronta diariamente e que atinge 30% dos alunos matriculados no ensino fundamental. De cada 100 alunos matriculados na 1ª série, apenas 35 concluem a 8ª série. É por esse motivo que empresas como a Volkswagen, Perdigão, Método, Cheques-Cardápio, Rhodia e centenas de outras, de várias partes do país, estão investindo na formação de seus empregados. Mas ainda existem boas notícias a serem dadas. Segundo o MEC, de 1991 a 1995 o número de alunos que concluíram o ensino fundamental cresceu 61,9%, e os que terminaram o ensino médio (2º grau), foi 45,9% maior. "Além de agregar valor à mão-de-obra, vemos melhoras no processo de crescimento natural da organização e na própria qualidade de vida de cada funcionário quando investimos no seu potencial. As pessoas precisam apenas de oportunidades", acredita Carlos Augusto Costa da Silva, supervisor de planejamento de pessoal da Volkswagen. Tanto que Toffler acredita que a ausência da educação ou mesmo a educação incorreta pode condenar uma criança à miséria e, em conseqüência, ao atraso das nações. Para as empresas que investem em cursos um pouco mais elevados, não privilegiando a formação básica, como é o caso da Cheques-Cardápio, a resposta vinda dos funcionários é a mesma. "Temos 42 funcionários cursando pós-graduação, curso superior e pré-vestibular, o que representou um investimento de cerca de R$ 14 mil apenas nos três primeiros meses deste ano", conta Leliane Tursi Penteado, gerente de RH da Cheques-Cardápio. O limite pago pela empresa é de R$ 200,00 ao mês. Se houver repetência em algum ano letivo, a empresa não mais se responsabiliza pelo pagamento do curso. Esforço governamental para tentar recuperar o tempo perdido – Para empresas que não podem ou não querem bancar sozinhas o estudo de seus funcionários, o Ministério da Ciência e Tecnologia oferece, através da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), recursos para que a organização possa montar seu programa. "Este ano a Finep tem R$ 27 milhões comprometidos, beneficiando cerca de 16 mil trabalhadores", explica Any Dutra, coordenadora do Programa Proeduc, voltado para a educação básica dos empregados, projetos de avaliação do ensino básico e desenvolvimento de currículos e materiais didáticos. A Finep, explica Any, financia até 90% dos custos de cada programa. Desde sua criação, em 1996, até agora, 12 empresas já tiveram seus projetos aprovados e com recursos liberados. O número ainda é baixo porque cada projeto demora em média 2 anos para ficar pronto, além do que não há uma corrida desenfreada por parte das empresas em buscar o financiamento, conta Any. Os itens financiáveis vão de gastos com consultoria para implantação dos programas até 50% dos gastos com horas de atividade normal do trabalhador que for usada para sua permanência na sala de aula. Os juros cobrados, segundo a Finep, são de no máximo 2,5% ao ano e amortizados em até sete anos. Para quem resolver buscar uma solução junto ao seu Estado ou município, as secretarias de Educação podem ser a saída. A Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, por exemplo, oferece o Proalfa (Programa de Alfabetização), voltado para jovens e adultos que não cursaram o ensino fundamental na idade apropriada. O programa é desenvolvido através de convênio entre a secretaria e entidades ou empresas. A secretaria oferece apoio técnico, supervisão e certificado de conclusão, reconhecendo o curso. Outra ação desenvolvida pelo governo é o programa "Acorda, Brasil. Está na Hora da Escola!", criado em 1995, que tem por meta transformar o modelo escolar atual em um modelo desejado por toda a sociedade, tendo como bandeira a questão da qualidade do ensino e a busca de parcerias para que os resultados esperados sejam alcançados. Segundo dados do MEC, em 1997 foram firmadas mais de 130 parcerias com diversos segmentos sociais, totalizando cerca de R$ 20 milhões em benefício de aproximadamente 10 milhões de alunos da rede pública de ensino. As empresas parceiras, por exemplo, podem colaborar de diversas maneiras, como levando especialistas para debaterem os mais diversos assuntos ou mesmo em doações. Segundo o coordenador do "Acorda, Brasil", Josecler Gomes Moreira, um dos trabalhos realizados foi o de sugerir que a visão que crianças e adolescentes têm da escola seja integrada ao Plano Nacional de Educação, enviado ao Congresso Nacional em dezembro último pelo MEC. "Esse material poderá servir de subsídio para as futuras políticas educacionais a serem implementadas", destaca Moreira. O programa também conta com o projeto "Fala, Brasil", serviço telefônico criado para que as pessoas possam entrar em contato com o MEC, colaborando com várias sugestões. Em 97 foram mais de 100 mil ligações gratuitas através do telefone 0800-616161. "Estudantes, professores e pais representam 85,93% do público que utiliza o Fala, Brasil", conta Moreira. O "Acorda, Brasil" também contabiliza sete mil participantes nos ciclos de palestras realizados em 17 estados. Esses seminários têm a missão de conscientizar pais, professores, diretores, comunidade e empresários sobre a importância da educação para o desenvolvimento do país. Mas vários outros programas vêm sendo desenvolvidos pelo país afora, como o que acontece no Distrito Federal. Lá, o governador Cristóvam Buarque instituiu a bolsa-escola, que oferece um salário-mínimo para cada família cujas crianças entre sete e quatorze anos não freqüentavam a escola por motivo de pobreza. O governador, que esteve presente no seminário realizado pela Rede Globo, ressaltou ainda que no final de cada ano cada família recebe R$ 100,00, que é colocado em uma caderneta de poupança e só poderá ser retirado quando o aluno terminar o colegial. Em Brasília, o gasto anual por família é de R$ 1.400,00. Outra iniciativa tem como meta utilizar a televisão como meio disseminador para fins educativos. É inegável que o brasileiro passa um grande número de horas diante da televisão, que afinal assume o papel de única fonte de lazer acessível a grande parte da população. Para se ter uma idéia, a indústria chega a produzir duas vezes mais aparelhos de TV do que geladeiras. Acreditando no poder de alcance desse veículo, a Rede Globo apostou no Telecurso 2000, iniciativa em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que entrou no ar em 1995. No início deste mês, o programa ultrapassou a marca dos 200 mil alunos matriculados nos programas de 1º e 2 º graus. Segundo dados da Fiesp, o projeto de ensino a distância totaliza cerca de 6 mil telessalas, funcionando em 299 empresas e 184 instituições, que vão desde escolas e universidades até penitenciárias e favelas. Do total de matriculados, o Estado de São Paulo representa quase a metade, com mais de 90 mil alunos, seguido de Minas Gerais, com 41 mil. A opção pelo sistema de ensino a distância foi a forma encontrada para atingir mais rapidamente um grande número de pessoas. Nesse sistema, a figura tradicional do professor deu lugar a um novo formato, que prima pela utilização de técnicas de uma programação televisiva normal, que o aluno acompanha através de apostilas. Neste ano, o Telecurso ampliou seu currículo com a introdução de disciplinas que se integram à formação da cidadania, como educação física, esportes e artes. Aposta na educação Método Engenharia Desde 1987 a Método Engenharia vem acreditando na importância da formação básica do profissional que trabalha em suas obras. Voltado para alfabetização da mão-de-obra que trabalha em canteiros, pedreiros ou serventes, a empresa criou as salas de aula dentro desses locais, que desde a primeira turma já formou mais de 312 alunos. "Já passaram pelas nossas salas cerca de mil profissionais. A desistência é grande, pois a maioria deles tem satisfeitas suas necessidades apenas aprendendo a ler e escrever o seu nome", explica Ana Lúcia Francisconi, coordenadora do projeto. A Método conta atualmente com três salas de aula e está implantando mais três. Cada sala funciona com 25 alunos e custa à empresa, incluindo material didático e lanche antes do início das aulas, cerca de R$ 1.423,00 ao mês. O curso tem duração de oito meses, com duas horas de aulas diárias, entre as cinco da tarde e as sete da noite. Cada dois meses são dedicados ao estudo de uma disciplina: comunicação, identidade, saúde e preparação para o nível educacional. "Trabalhamos todos os conteúdos de forma globalizada (português, matemática, história). Quando ele termina o curso, que equivale à 4ª série do primeiro grau, está apto para freqüentar uma escola comum", diz Ana Lúcia. Da sua criação até os dias de hoje, algumas coisas foram mudadas, visando uma melhor adaptação à mão-de-obra extremamente carente. Como exemplo, conta Ana, o aluno não é mais obrigado a assistir diariamente às aulas, até o fim do curso. "Fazemos uma avaliação do nível de conhecimento do funcionário. A partir daí é que se vai determinar qual a sua necessidade", diz. O maior problema, segundo ela, são os vícios de linguagem invariavelmente apresentados por essas pessoas. O perfil dos alunos é bem variável, indo dos 22 aos 46 anos. As pessoas mais jovens são as que mais se demonstram preocupadas em aprender. "De nada adianta tentar profissionalizar o funcionário, oferecendo cursos no Senai ou Senac, se ele não tiver a formação básica", acredita ela. Volkswagen Há 20 anos a Volkswagen do Brasil oferece aos funcionários interessados uma escola de 1º e 2º graus na sua unidade Anchieta, no Grande ABC paulista. Para quem preferir, há a opção de buscar convênio com escolas da região ou onde for mais próximo do funcionário. Hoje, são atendidos 840 alunos em vários turnos, uma das vantagens, uma vez que os funcionários não contam com as facilidades de um horário fixo para desenvolverem suas atividades. A empresa investiu, em 97, cerca de US$ 8 milhões em treinamento, desenvolvimento e educação. Só em educação foram US$1,2 milhão. "Oferecemos cursos supletivos para pessoas que se encontram na faixa dos 30 aos 40 anos, porque o mercado não conta com uma mão-de-obra com essa formação e para que possamos atingir nossos objetivos de qualidade e produtividade. Para isso, precisamos contar com funcionários que tenham pelo menos uma estrutura básica em nível educacional", explica Carlos Augusto Costa da Silva, supervisor de planejamento de pessoal da Volkswagen. Apesar de oferecer auxílio para aqueles que desejam ingressar em um curso superior ou de pós-graduação, a empresa tem como meta a ação em cursos de 1º e 2º graus. "A Volkswagen se encarrega de pagar 70% dos custos dos cursos superiores", explica Silva. Neste ano contabilizam-se 185 empregados cursando o 3º grau, o que, em termos financeiros, significa R$ 500 mil por ano. Uma coisa é certa, diz Silva: a Volks busca contratar pessoas que tenham pelo menos o 2º grau completo. A contratação de pessoal cuja única formação seja o 1º grau é praticamente rara, só acontecendo em casos de absoluta falta de mão-de-obra. Outro programa oferecido pela empresa é o de aprendizagem industrial para filhos e irmãos de funcionários que se encontram na faixa dos 14 aos 18 anos. A cada seis meses a Volkswagen abre novas vagas e oferece um curso de três anos a esses jovens, que funciona, ao mesmo tempo, como um estágio e um trabalho. Passado o período do curso, se a empresa estiver com vagas em aberto a contratação se realiza. Rhodia Até poucos anos atrás possuir o 1º grau completo era condição essencial para que um candidato fosse admitido na Rhodia. Hoje, sem o 2º grau praticamente suas chances se resumem a zero. "A empresa está exigindo isso, pois ela oferece garantias para que isso ocorra", conta José Emídio Teixeira, gerente de relações sociais e educação da Rhodia. Nas unidades químicas, diz ele, cerca de 90% dos funcionários têm 1º grau completo. A empresa oferece tanto o curso em escola própria quanto em convênio com outras escolas, como o Senai, dependendo da realidade e das necessidades de cada região. As aulas acontecem fora do expediente de trabalho. "Investimos em média US$ 1 mil ao ano por funcionário, entre educação e formação profissional", explica Teixeira. Com relação aos cursos superiores, Teixeira conta que a Rhodia ainda não desenvolve nenhuma ação ampla nesse sentido, já que a prioridade é para a formação básica. Um dos trabalhos que a empresa vem desenvolvendo com relação à educação é o Projeto Empregabilidade, criado em 1995. O objetivo desse projeto é desenvolver o sentido da empregabilidade em todos os funcionários, não só para a empresa, mas também para quando ele estiver fora dela. O estudo teve início com uma série de entrevistas realizadas com cerca de 500 funcionários da Usina Química de Santo André, uma das unidades da Rhodia. O objetivo, a princípio, era descobrir o perfil de cada empregado e qual a maneira com que ele consegue aprender e se desenvolver melhor. "Cerca de 31% deles concluíram o 2º grau, contra 15% que terminou o 1º grau, ou seja, ainda há muito para se investir", diz Teixeira. E é a partir do estudo desse projeto que será levantada a necessidade de cada funcionário e se tentará colocar em prática, na medida do possível, o sonho de todos eles. Perdigão Situada em pequenas cidades nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul – a maior delas conta com 40 mil habitantes –, a Perdigão Agro-Industrial praticamente se tornou a responsável direta pela economia desses locais, empregando grande parte dos moradores. São mais de 14 mil funcionários, e destes, 60%, em 1996, não possuíam o 1º grau completo. Esse quadro levou a empresa a pensar em atuar na formação da mão-de-obra, por acreditar, segundo Dorival Borga, gerente de RH da Perdigão, que o desenvolvimento da empresa passa, necessariamente, pelo desenvolvimento dos funcionários. "Sabemos que a formação básica é um compromisso do Estado, mas não podemos mais esperar para que ele faça alguma coisa. O desenvolvimento tecnológico é cada vez mais ágil, e sem investimentos no funcionário não conseguiremos acompanhá-lo", enfatiza Borga. A Perdigão, no início do projeto, chamou outras empresas da região e órgãos do Poder Público, que ofereceriam orientação pedagógica e professores, para auxiliar nessa tarefa. Às empresas caberiam entrar com o espaço físico e materiais como cadernos e lápis. "Procuramos avaliar todas as variáveis que poderiam ocorrer durante o processo e que levassem o funcionário a desanimar e abandonar as aulas. Então precisávamos de um programa que facilitasse a participação, com escolas próximas, horários que respeitassem os turnos de trabalho, gratuidade total e que não fosse muito desgastante, levando-se em conta que o trabalhador já tem uma jornada de trabalho cansativa", explica Borga. As aulas acontecem quatro vezes por semana e têm a duração de três horas. No 1º ano do curso, 70 pessoas participaram das aulas. Em 97, esse número passou de 300. Para 98 a expectativa é de que 2 mil pessoas estejam estudando. Atualmente 10 municípios participam desse projeto, que pretende atender, neste ano, 15 mil alunos. "A empresa procura mostrar ao funcionário o quanto é importante para ele voltar a estudar, e nossa grande surpresa é que temos alunos com mais de 50 anos de idade nos bancos escolares", avalia Borga. O programa também procura abrir as portas para aqueles que estão desempregados. Nesse caso, o único custo dessas pessoas é com o material escolar. O investimento no programa, diz ele, é de R$ 80 ao ano por funcionário. Serviço: Secretaria Municipal de Educação (011) 288-4078; Finep (021) 276-0511; Cheques-Cardápio (011) 3670-2040; Método Engenharia (011) 820-6866; Volkswagen (011) 753-2540; Rhodia (011) 3741-8152; Perdigão (049) 533-9238; MEC (061) 214-8272; Fiesp (011) 252-4200;.Rede Globo (011) 3823-4244 RH EM SÍNTESE 21 - ANO IV - MAR/ABR 1998 – PÁGINAS 6 A 11 |