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Foco no crescimento profissional

As escolas de idiomas procuram contar com métodos e programas que tornam o ensino de uma segunda língua mais agradável e que corresponda às necessidades de cada aluno

Cristina Sanches

O mercado de ensino de idiomas está acirrado. São diversas escolas que oferecem todo tipo de curso, com duração, periodicidade, custos e tudo o mais, exatamente do tamanho das necessidades de cada cliente. E aí ele se depara com um problema. Qual escola e qual curso escolher? Paulo Sanchez, diretor de marketing da Brigde Sistema de Inglês Personalizado, dá uma dica: "Um bom critério de avaliação é saber qual a vida útil dos alunos na escola que se está pesquisando. Se a vida útil for reduzida, isso significa que os alunos não gostaram e foram embora". Já os cursos de curta e média duração, destaca Bridges, só são eficazes se forem oferecidos em grupos reduzidos de alunos (daí o motivo de serem mais caros), e de forma personalizada. "Caso contrário não funciona", diz ele. Mas nada tem mais resultado do que uma pesquisa detalhada e a certeza do que se está procurando. Para quem está programando aprender ou aperfeiçoar um outro idioma, uma dica: procure avaliar a relação custo x benefício dos programas, partindo da relação qualidade e duração dos cursos.

Os idiomas oferecidos no Brasil são os mais diversos (italiano, francês, alemão, japonês), mas os mais procurados continuam sendo o inglês, por ser uma língua universal, e o espanhol, pela necessidade imposta pelo Mercado Comum do Sul – Mercosul. Geralmente voltados a profissionais que procuram desenvolver seu potencial de trabalho, muitas vezes visando uma promoção, o foco dos cursos oferecidos está voltado para o vocabulário do mundo dos negócios, apresentações, negociações e reuniões, técnicas de atendimento ao telefone e linguagem social. Nesse caso, o método de aprendizagem costuma influir nos resultados obtidos.

Carla Zindel, diretora da Holdinng, conta que utiliza softwares didáticos desenvolvidos por universidades internacionais, vídeos didáticos, filmagem do aluno em discurso, ligações telefônicas semanais, fitas de áudio e técnicas de programação neurolinguística. "Essa ferramenta é utilizada em casos de trauma com o idioma ou trava de fala. Através da técnica você determina o perfil da pessoa, o que a motiva", explica Carla. A Programação Neurolinguística (PNL) é representada pelos sistemas visual – registrando as informações em forma de imagem; auditivo – que processam os sons, e a sinestésica – que trabalha com as sensações.

Já a Bridges procura utilizar, conta Paulo Sanchez, uma abordagem comunicativa, onde as aulas são totalmente em inglês, mesmo as direcionadas para iniciantes. "E a gramática é introduzida por meio de exemplos, analogias e demonstrações. Em termos práticos, procuramos utilizar os sistemas pedagógicos disponíveis para alcançarmos os melhores resultados para os alunos". O uso de folders personalizados e CD Rom, além dos livros didáticos, são outras ferramentas das mais utilizadas pelas escolas. Existem escolas que também utilizam, nas suas aulas, artigos de revistas como Time e The Harvard Business Review.

Os cursos geralmente são voltados para a conversação, por ser essa a maneira mais rápida e correta do aluno ter contato com um outro idioma. Na Hispania Línguas Latinas, especializada no ensino do espanhol, conta Maria Eulália Bartaburu, diretora da escola, foi criado e desenvolvido um método contrastivo-comparativo do espanhol com o português. Isso significa que, além de ensinar a gramática e as expressões oral e escrita de forma dinâmica, o método prima pela motivação à criatividade do aluno, oferecendo condições para ele se expressar de forma simples e natural, mostrando o espanhol como língua universal, com as variantes dos diferentes países da América Latina.

Por sua vez, o método pedagógico utilizado pela Escola de Línguas Millennium, explica Selma Ganzani, diretora, consiste na aplicação das descobertas do psicanalista e pedagogo austríaco Norberto da Rocha Keppe, que engloba os aspectos psicolingüístico e psicoartístico, permitindo lidar com bloqueios, inibições e medo na aprendizagem de uma língua. "A tolerância com a consciência das dificuldades emocionais é fator essencial na aprendizagem. Cada indivíduo é único nas suas aptidões e dificuldades", alerta Selma. Neste método procura-se a conscientização da causa dos bloqueios para que haja maior liberdade de expressão por parte do aluno.

O perfil dos alunos é variável. De crianças a alunos de terceira idade, passando por executivos ou profissionais liberais, encontra-se todo tipo de pessoa disposta a aprofundar seus conhecimentos em outros idiomas." A necessidade dos alunos em aprender inglês é, na grande maioria, profissional. Cerca de 45% dos nossos clientes são empresas de grande porte que nos contratam para atendermos as necessidades de seus funcionários em nível de supervisão, gerência, diretoria e vice-presidência. Já 35% de nossos clientes são executivos empreendedores, na maioria empresários, e 20% são profissionais autônomos", enumera Carla, da Holdinng.

O aluno, ao escolher um curso, pode optar em contar com o professor na sua própria residência ou local de trabalho; freqüentar as aulas na escola ou ainda em cursos de imersão, que podem ocorrer no exterior ou em finais de semana. No caso do ensino para executivos, que contam com uma agenda sobrecarregada, algumas escolas, como a Challenges, oferecem cursos especiais. "Nossos programas de imersão contam com 20 a 45 horas/aula por semana, com o objetivo de expor o aluno exaustivamente ao idioma antes de viagens, reuniões ou negócios", conta Angelina Colombo, diretora da escola. A Challenges também oferece um serviço chamado Hot Line, no qual o aluno agenda com a coordenação um suporte, via telefone, com duração de 15 minutos. Durante a conversa o coordenador anota todos os erros cometidos pelo aluno e dá um feedback via fax.

A InterNexus Business Language Center, pertencente à Organização Yázigi, é uma escola especializada em montar programas personalizados para empresas e executivos. "Nossos programas têm a duração média de seis meses, com turmas de no máximo seis alunos. Cada cliente passa por uma avaliação prévia das suas necessidades específicas, o que permite a elaboração de um programa 100% personalizado, em termos de periodicidade, tempo de duração, carga horária e custos", explica Daniel Rodrigues, diretor da InterNexus. Já na Teuto Idiomas, especializada no ensino da língua alemã, conta Andréa Schmitz, gerente administrativa, a escola costuma oferecer aos alunos cursos com enfoque em áreas específicas, como direito, engenharia ou administração. Existem também as escolas que oferecem cursos extras, como a Spazio Italiano, com o seu curso de culinária regional. Segundo Teresa Kalil, as aulas acontecem uma vez por semana, nas quais são explicadas curiosidades, cultura e histórias típicas da cozinha italiana.

Agora, quando o caso é o aprendizado mais rápido, a solução são os cursos de imersão, que contam com uma gama variada de preços, localidades e duração. "Para os profissionais que sentem a necessidade de falar um idioma com desenvoltura, a melhor maneira de fazê-lo é passar uma temporada fora. E para quem não teve essa oportunidade, há no mercado cursos de idiomas específicos para estrangeiros", conta Karen Halley, diretora da Friends in the World. A duração mínima destes cursos é de duas semanas, e a dica é aproveitar o melhor possível o tempo disponível. As cargas horárias são altas e as aulas são em grupos pequenos ou individuais. Uma boa sugestão, diz Karen, é participar das atividades programadas pela escola e hospedar-se em uma casa de família. Isso porque, por menor que seja a convivência com estrangeiros, os resultados são sempre melhores. "Cada minuto num curso de imersão deve ser aproveitado ao máximo. Utilizar os laboratórios de línguas e multimídia, por exemplo, é o ideal para treinar a pronúncia", conclui.

Já a EF Escolas Internacionais, que oferece cursos em escolas no exterior, conta com o EF Corporate, curso direcionado a executivos, com duração mínima de uma semana e que utiliza, segundo Roberto Caldeira, diretor da escola, material da própria empresa onde trabalha o aluno. E a Central de Intercâmbio, além dos cursos básicos, segundo Sílvia Prevideli, assessora de imprensa, oferece estágios remunerados, onde o estudante tem contato direto com a prática profissional, ou seja, o inscrito não passa por uma sala de aula.

Escola
Cursos
Custo médio

Bridge

Inglês

R$ 300 a 800,00 mês

Holdinng

Inglês, espanhol, alemão, francês e japonês

R$ 40 e 50,00 hora/aula

Challenges

Inglês, espanhol, francês, alemão, italiano e português p/estrangeiros

R$ 510,00 cada estágio de 60h

Teuto Idiomas

Alemão, espanhol, inglês, português p/estrangeiros

R$ 470 a 550,00 cada

Skill

Inglês e espanhol

R$ 600,00

Summit

Inglês para executivos

R$ 50,00 (aula individual)
e R$ 450,00 (turmas)

CCAA

Inglês e espanhol

A partir de R$ 370,00

Wizard

Alemão, inglês, italiano, francês e espanhol

R$ 520 a 590,00

Cel-Lep

Inglês, espanhol, alemão, francês

Cerca de R$ 1.000,00 cada estágio

Mayfair

Inglês, espanhol, francês, alemão, português p/estrangeiros

Não forneceu

Spazio Italiano

Italiano

A partir de R$ 120,00 mês

Millennium

Inglês, espanhol, francês, italiano, alemão, sueco, finlândes e português p/estrangeiros

A partir de R$ 77,00 mês

Hispania

Espanhol

R$ 12,00 hora/aula

Como se tornar um franqueado

Escolas como Yázigi, Wizard, Central de Intercâmbios, CCAA, entre outras, têm procurado, como forma de ganhar mercado, trabalhar como franqueadoras de suas marcas, o que não chega a ser algo complicado para quem tem algum interesse em trabalhar na área. O Yázigi, por exemplo, exige que a pessoa tenha um perfil administrativo, empreendedor, que saiba como lidar com problemas do dia-a-dia que ocorrem com crianças e adolescentes e possua um capital em torno de R$ 45 a 120 mil. "A única exigência que fazemos é com relação ao local, uma vez que uma escola não pode funcionar na mesma cidade ou região onde já esteja instalada uma franqueada Yázigi", explica Simone Schmidt, assistente do departamento de expansão da escola, que conta com aproximadamente 180 estabelecimentos franqueados

Na realidade, não há alteração no que diz respeito aos pré-requisitos exigidos dos candidatos a franqueado. O que varia é o valor do capital disponível, dependendo do tamanho da escola ou da sua localidade. A Wizard, que possui 352 franquias, diz Marco Antônio Imperador, gerente geral de franchising, exige um capital que varia de R$ 60 a 200 mil. No CCAA, que conta com 700 franqueados, este investimento sai por aproximadamente R$ 35 mil, sem cobrança de taxa de franquia ou royalties. "Creditamos a expansão da rede à necessidade de atingir novos mercados e à consciência cada vez maior da importância do domínio de um segundo idioma entre os brasileiros", avalia Paulo Carvalho Mendonça, diretor do CCAA São Paulo - Grupo Sul.

A escola Teuto, especializada no ensino do alemão, também está abrindo inscrições para os interessados na franquia da marca. A escola oferece ao franqueado seleção e treinamento de professores; material didático; assistência na organização escolar; material de divulgação e publicidade. Já a Skill, que conta com 123 franqueados, oferece uma unidade compacta por aproximadamente R$ 23 mil, fora o valor dos equipamentos, aluguel e reforma do ponto, se necessário. O que há também disponível no mercado é um sistema de terceirização do material didático específico para colégios, adotado pela Hispania, especializada no ensino do idioma espanhol. A Hispania oferece ao mercado a Revista Cultural Latinoamericana, editada em espanhol e utilizada pra reforçar a prática da língua, oferecendo ao aluno a cultura de cada um dos países de língua hispânica.

Um outro modelo de trabalho vem sendo adotado pela Cel-Lep, que não possui franquias, e sim escolas coligadas e subordinadas à uma unidade central. Edna Pavone, coordenadora pedagógica da rede, conta que funcionários da própria escola podem abrir uma unidade, onde será determinado, dependendo do lugar, o valor desse investimento. Geralmente todo o processo para se tornar um franqueado demora em média quatro meses, e as franqueadoras treinam e preparam o coordenador pedagógico de cada unidade para que este capacite os professores da escola para atuarem conforme as mesmas regras da franqueadora, além de oferecerem suporte técnico, operacional, administrativo e até financeiro.

A preocupação das escolas diz respeito exatamente à formação desses profissionais. Reciclagem e acompanhamento constantes evitam problemas com relação ao método de ensino adotado pela escola. Mesmo para aquelas redes que não possuem franquias, o preparo do professor é fundamental. Carla Zindel, da Holdinng, conta que, após selecionados os currículos, há a aplicação de testes psicológicos e de conhecimento do idioma. Depois disso, o candidato passa por um treinamento seletivo, com carga horária de 42 horas. "Com o objetivo de voltar o aprendizado o mais próximo possível da realidade, promovemos o rodízio de professores a cada estágio, o que proporciona aos nossos alunos uma discriminação auditiva universal", acrescenta Carla. Além de excelente domínio da língua, vivência no exterior também conta pontos para um futuro professor.

"Já que trabalhamos principalmente com executivos, nossos professores são rigorosamente selecionados, não só pela experiência, como também pelo nível cultural. Eles passam por um treinamento rigoroso dentro da nossa filosofia e padrão pedagógico, e conseguem mais aulas dependendo do "feedback" que os alunos nos mandam periodicamente", explica John Winston, diretor da Mayfair Idiomas. E na opinião de José Walter Toledo Silva, diretor da Unicel Morumbi, o foco em seleção e treinamento é fundamental para a qualidade, o que não se consegue quando esses serviços são compartilhados por diversas escolas e as responsabilidades estão centralizadas e distanciadas das necessidades operacionais. A remuneração média desse profissional gira em torno de R$ 15,00 a hora/aula.

Serviço: Bridge - R. Itapicuru, 239 - (011) 62-1421; Holdinng - Al. Campinas, 1323 - (011) 884-8453; Challenges - Al. Itu, 1040 - (011) 883-1152; InterNexus (Yázigi) - Av. 9 de Julho, 3166 - (011) 884-9600; Teuto - R. Maurício F. Klabin, 223 - (011) 570-2044; EF - Av. 9 de Julho, 4285 - (011) 888-4841; Skill - Av. Indianópolis, 3356 - (011) 5581-0922; Friends in the World - R. da Consolação, 3367 - cj. 91/92 - (011) 3068-9402; Summit - R. Nova York, 394 - (011) 535-1161; CCAA - R. Frei Gaspar, 480 - (011) 458-6877; Wizard - R. das Figueiras, 1206 - (011) 444-1901; Mayfair Idiomas - Av. Maria Coelho Aguiar, 215, Bl. G - (011) 3741-6500; Spazio Italiano - R. Uruguaiana, 61 - (011) 4972-2197; Unicel Morumbi - R. Domingos L. Silva, 281 - (011) 842-4390; Millennium - Av. Rebouças, 3887 - (011)814-0455; CI - R. Itápolis, 1207 - (011)259-1200; Hispania - Av. Brig. Faria Lima, 2639 - cj. 81 - (011) 212-6132

RH EM SÍNTESE 20 – JAN/FEV 1998 – PÁGINAS 34 A 37