. ::. SEÇÕES
. Autoconhecimento
. Benefícios
. Carreiras e Perfomance
. Comunicação e Marketing
. Economia e Tendências
. Educação Corporativa
. Empresas e Negócios
. Entidades
. Gestão e Administração
. Internet e Informatica
. Mr. Vic
. Mercado de Trabalho e
.. Legislação
. Prêmios
. Qualidade e Produtividade
. Recrutamento e Seleção
. Remuneração
. Saúde e Qualidade de Vida
. Treinamento e
.. Desenvolvimento
. ::. CANAIS
. Capa
. Forum
. Sala de Bate-Papo
. Empresas & RH
. ::. SERVIÇOS
. Agenda
. Informações Comerciais
. Conselho Editorial
. Fale Conosco

Entre a prática e a teoria

Para acompanhar a realidade dos recursos humanos nas organizações, algumas faculdades estão despertando para que seus alunos não fiquem à margem dos acontecimentos e exigências do mercado

Como integrar a teoria ensinada nas faculdades com a realidade das empresas é uma antiga questão em que ambas as partes vêm repensando seus papéis. Aprimorar e adaptar o currículo acadêmico às exigências do mercado de trabalho é uma maneira de ampliar a chance do estudante ingressar na profissão que escolheu. Dessa forma, a organização que aumenta o número de vagas para estagiários, absorve mais pessoas competentes e tem um poderoso crédito de potenciais. Tal integração é essencial em qualquer carreira, e na área de administração de empresas, especialmente em recursos humanos, o estudante deve ir além de mostrar que domina os conceitos do mercado. Vivenciar a teoria na prática no período da faculdade é uma experiência rica em descobrimentos e surpresas.

"Nos cursos de administração, com poucas exceções, a teoria está ultrapassada, pois as mudanças que vêm acontecendo são muito rápidas. E os professores, com pouco tempo para se atualizarem e muitos sem experiência na área, apenas dominam a teoria", diz Euclydes Barbulho, diretor da Konsult, consultoria de recursos humanos. Segundo Cleo Carneiro, diretor da NC Consultoria, a interação pode ser feita pela utilização temporária de professores externos à faculdade, como profissionais de reconhecida atuação, e ainda com a participação dos alunos em atividades externas como palestras, seminários e congressos. Mas algumas faculdades estão despertando para que seus alunos não fiquem à margem dos acontecimentos e exigências do mercado.

Dessa forma, procuram adaptar o currículo à realidade e convidam profissionais reconhecidos, que incentivam os estudantes com palestras e seminários. Outra maneira de integrar teoria acadêmica e teoria organizacional é simular projetos de melhoria na administração em empresas reais. E em alguns casos, as simulações são oportunidades para um emprego na área. Dentro do contexto de recursos humanos, as faculdades procuram não ficar para trás do que acontece nas organizações. Na Anhembi-Morumbi, segundo o coordenador do curso de administração de empresas, Plínio João de Sousa, a faculdade de administração está direcionada para preparar o perfil do alunos em três aspectos: humanista, empreendedor e generalista. Dentro do perfil humanista há uma matéria chamada Teoria das Organizações: Uma Visão Holística, ministrada no quarto ano.

Para enfatizar o aspecto empreendedor, durante os quatro anos o aluno realiza trabalhos interdisciplinares, e assim entra em contato com a realidade do mercado. "No segundo ano os estudantes são estimulados a montar um negócio, que embora fictício, tem roteiro fundamentado na realidade", explica o coordenador. Nos dois primeiros anos, o aspecto generalista permeia diversas matérias, pois a partir do terceiro o aluno escolhe a especialização, entre elas Recursos Humanos. Assim, a gestão pessoal é abordada em disciplina com o mesmo nome, que apresenta os vários sistemas de treinamento na atualidade. Também no terceiro ano a matéria "Administração Participativa" trata do conceito de liderança e trabalho em equipe, e a matéria "RH II" ensina como fazer treinamento.

De acordo com Narcélio José dos Santos, coordenador do módulo de RH da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o curso de administração de empresas procura formar profissionais com ênfase na gestão de pessoas, negócios e organização. O enfoque em gestão de pessoas na PUC está inserido no módulo de RH, que é composto pelas disciplinas obrigatórias do MEC, complementares e optativas. Estas últimas são introduzidas no currículo conforme a demanda dos importantes acontecimentos que surgem no contexto empresarial e social. Por exemplo, há disciplinas sobre "Qualidade de Vida no Trabalho" e "Recursos Humanos em Gestão Participativa".

Em relação aos conceitos de administração de empresas que surgem rapidamente e muitos perecem com a mesma intensidade, as faculdades estão atentas para não se tornarem obsoletas. "Buscamos mostrar a nova roupagem dos velhos conceitos. O mais importante é dar ao aluno a compreensão necessária para que ele mesmo possa localizar na história esses ‘slogans’ que vão e vêm. E assim, fazer com que ele tenha capacidade de discernimento e possa julgá-los, aproveitando-os adequadamente", enfatiza o coordenador da Anhembi-Morumbi. "Os modismos fazem parte da formação acadêmica e os módulos de ensino discutem os assuntos e avaliam se é válido ensiná-los. São assuntos importantes num determinado momento, mas também é preciso ir com calma", explica Santos, da PUC.

O estágio ainda é a melhor maneira de equilibrar e integrar prática e teoria. "Alguns professores orientam os alunos para fazer o estágio dentro de um roteiro. Por exemplo, o estudante que trabalha em RH deve conversar com a cúpula da organização e conhecer todas as áreas para entender a empresa", explica Santos. Na opinião do consultor Euclydes Barbulho, o estágio deve ser feito logo no início do curso, mas se não for possível, no último ano ele deve ser intenso. "Algumas empresas aproveitam os estagiários apenas para complementar um trabalho ou ocupar um cargo em aberto. E visam com isso baixar os custos, atrapalhando a carreira de muitos. Mas há empresas que procuram os potenciais dentro das escolas e programam uma carreira ascendente em que os melhores sempre terão mais oportunidades de efetivação na empresa", diz Barbulho.

Na Anhembi-Morumbi, uma média de 250 alunos de administração de empresas se formam anualmente, e destes cerca de 10% se especializam em recursos humanos. A faixa de especialização nesta área é semelhante na PUC, em que dos aproximadamente 400 formandos em administração, de 7% a 10% seguem carreira em RH. Segundo Saul Soares de Freitas, consultor da RH Plus, empresa que desenvolve projetos na área de remuneração, a média salarial na área de recursos humanos para um gerente é de R$ 6.500,00, um recém-formado- júnior recebe cerca de R$ 1.300,00 e um estagiário no último ano da faculdade recebe aproximadamente R$ 850,00. A pesquisa foi realizada este ano com cerca de 40 empresas de vários segmentos de grande porte, nacionais e multinacionais. Pelas contas de Barbulho, da Konsult, a média salarial para um recém-formado sem experiência varia entre R$ 600,00 a R$ 900,00. Já um profissional com cerca de dez anos de experiência na área de RH, que ocupa cargo de chefia, recebe entre R$ 3.000,00 e R$ 6.000,00.

A partir do conhecimento ao mesmo tempo holístico e especializado, o jovem tem as ferramentas básicas para a melhoria de seu desenvolvimento profissional. Segundo Barbulho, o mercado de trabalho exige do estudante uma visão abrangente da área administrativa e um conhecimento específico da área escolhida – recursos humanos, por exemplo. Para ele, não adianta conhecer tudo sobre RH sem entender de contabilidade, informática, marketing, entre outros. "O que se exige de todos os profissionais é uma postura pessoal e comportamento adequados ao momento atual, como capacidade de empreender, saber se relacionar com os outros e trabalhar em equipe", ressalta Cleo Carneiro. Barbulho destaca que o jovem não deve perder ao longo de sua carreira profissional a vontade de vencer, o ideal e o dinamismo.

Serviço: Anhembi-Morumbi 0800 159020; Konsult (011) 543-7488; NC Consultoria (011) 549-7632; PUC (011) 263-0211; RH Plus (011) 247-0973

RH EM SÍNTESE 16 – MAIO/JUNHO 1997 – PÁGINAS 30 E 32