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Maiores empresas focam em retenção e conhecimento

A revista Gestão RH, visando fazer um painel representativo do que pensam os RHs das maiores empresas brasileiras, elaborou uma pesquisa que foi enviada aos executivos de RHs das 1.000 maiores empresas (critério Revista Exame), nacionais e multinacionais, representantes de diversos setores da economia.

A pesquisa foi respondida por 106 empresas e os resultados mostram que a maioria dos profissionais de Recursos Humanos considera que o RH deve ser o Gestor de Conhecimento na Organização. Nessa tarefa, o foco principal deve ser a “Gestão de Mudança” sensibilizando, facilitando e preparando os profissionais para os processos desencadeados pela organização no que se refere à necessidade de atender à demanda do negócio. Tal resultado pode ser ainda mais positivo quando os executivos entrevistados propõem estimular as demais áreas da empresa a atuarem de forma a incorporar práticas de geração, compartilhamento e disseminação de conhecimento, ou seja, atuarem no papel de multiplicadores de gestão de conhecimento.

“Podemos concluir que as empresas estão investindo em Recursos Humanos e têm contratado executivos capazes de mudar o perfil de atuação da área na companhia ou de reforçar o alinhamento dessa área com a estratégia de negócio das empresas”, diz Maura Ribeiro, consultora organizacional de RH da Satipel e coordenadora dessa pesquisa.

“O conceito de gestão do conhecimento parte da premissa de que todo o conhecimento existente na empresa e que está na cabeça das pessoas e nos processos dos departamentos pertence à organização. Por outro lado, todos os colaboradores que contribuem para esse sistema podem usufruir todo o conhecimento presente na organização.” Quando se trata da contribuição da área de RH, o foco maior vem sendo reforçado com relação ao Desenvolvimento Humano, o que de certa forma demonstra coerência para evolução da área de RH para estratégia de Gestão de Conhecimento, pois, com isso, o RH não pode perder de vista os talentos que possui, através de planos de retenção, de um ambiente de trabalho saudável, de respeito pelos profissionais, de apoio à diversidade, de melhorar sua capacitação, de justiça nas decisões e na forma de remunerar.

Esse resultado, por outro lado, demonstra que as áreas de RH estão canalizando suas atividades com vistas ao alinhamento estratégico da gestão de conhecimento, “pois não há desenvolvimento sem desenvolvimento de visão, sem abertura para permitir inovação e novas práticas, potencializando os objetivos de médios e longos prazos da organização e permitindo mensurar seus resultados na melhor relação custo-benefício e de impacto nas estratégias futuras mais relevantes para o negócio”, conclui Maura.

Para se ter uma idéia mais exata do que ocorre nos dias atuais, basta observar que 87% dos profissionais que responderam à pesquisa consideram que o RH deve ser um agente potencializador do crescimento pessoal e profissional das pessoas e desenvolver mecanismos que propiciem não apenas a geração de conhecimentos, mas também o seu compartilhamento sistematizado entre todos que trabalham na organização. Sessenta e dois por cento responderam que o papel da liderança do RH é atuar como agente de mudança organizacional, preparando as pessoas para os processos desencadeados pela organização.

A porcentagem que destaca a contribuição da área de RH para o cumprimento dos objetivos organizacionais também foi expressiva: 75% avaliam que o RH tem sido chave na contratação, desenvolvimento e retenção de talentos para a empresa e também contribui para o desenvolvimento de um ambiente de trabalho saudável, de respeito pelas pessoas, de equidade interna, de apoio à diversidade, de garantia de justiça nas decisões relacionadas às pessoas.

Responsabilidade Social

O RH tem contribuído muito para a atuação socialmente responsável da empresa. Nessa questão, 49% apontaram que a contribuição do RH é desenvolver programas de cidadania empresarial e voluntariado interno, nos quais o exercício da cidadania é diretamente estimulado no corpo funcional, sem esquecer que ser socialmente responsável envolve também investir no desenvolvimento pessoal e profissional dos colaboradores da empresa, na melhoria das condições de trabalho, nas próprias relações entre empregado e empregador, no tratamento adequado das diferenças, no cuidado para se tratar com casos de aposentadoria, entre outros.

Para 58,4% dos profissionais ouvidos, o RH deve trabalhar para engajar os seus colaboradores como voluntários em iniciativas de cidadania e responsabilidade social, apoiando os voluntários e criando espaços para trocas de idéias, pois consideram que o trabalho voluntário também é um caminho para o desenvolvimento de competências importantes nos profissionais e fator importante para o aumento da auto-estima das pessoas envolvidas no processo. Outro ponto relevante para recuperar a auto-estima das pessoas e do clima organizacional é manter os canais de comunicação abertos e eficientes entre todos os setores da empresa, segundo 69,8% dos entrevistados.

Formação Profissional

Entre as principais competências a serem desenvolvidas para que os profissionais da área de RH se mantenham atualizados e preparados para os novos desafios, 54,7% dos profissionais acham que o profissional de RH deve ser flexível e curioso, interessar-se pelos negócios da organização e pelas pessoas, além de entender de psicologia humana e organizacional para fazer a gestão de interfaces entre expectativas institucionais e das pessoas e saber respeitar as decisões coletivas acima das individuais. Os profissionais entrevistados consideram também que o fundamental é desenvolver valores como ética, justiça, respeito pelas pessoas, pelo meio ambiente, importantes para definir o comportamento frente aos desafios contínuos.

Por outro lado, conhecer o negócio da empresa, ter visão sistêmica e estratégica, capacidade de autodesenvolvimento constante e integração efetiva com as demais áreas da organização são pontos considerados básicos na formação de profissionais de RH por 62,5%. Só assim os profissionais poderão atender às expectativas e fazer do RH uma área estratégica para desenvolver talentos e liderar mudanças organizacionais. Para 45,2% dos entrevistados, o papel de gestor de RH será introjetado pelos demais gestores da organização e o profissional de RH fará o papel de coaching entre eles.

Na avaliação de 47% dos entrevistados, dentro de dez anos, o gestor de RH será o catalisador do processo de gestão de pessoas dentro da organização e responsável pelo coach de todos os líderes, e ainda o guardião da cultura, dos valores organizacionais e das políticas de pessoal. Além disso, terá visão estratégica de negócio, conhecimento e domínio de tecnologia e capacidade de liderar mudanças organizacionais.

O que pensam os profissionais de RH das Maiores Empresas Brasileiras *

  • 87%: o RH deve ser um agente potencializador do crescimento pessoal e profissional das pessoas.
  • 62%: o RH deve exercer papel de liderança e atuar como agente da mudança organizacional.
  • 75%: o RH tem sido chave na contratação, desenvolvimento e retenção de talentos para a empresa e, também, contribui para um ambiente de trabalho saudável.
  • 49%: a contribuição do RH é desenvolver programas de cidadania empresarial e voluntariado interno.
  • 58,4%: o RH deve engajar os seus colaboradores como voluntários em iniciativas de cidadania e responsabilidade social e criar espaços para trocas de idéias.
  • 69,8%: a principal medida que deve ser adotada para recuperar a auto-estima das pessoas e do clima organizacional é manter os canais de comunicação abertos e eficientes.
  • 54,7%: o profissional de RH deve ser flexível e curioso, interessar-se pelos negócios da organização e pelas pessoas.
  • 62,5%: é fundamental conhecer o negócio da empresa, ter visão sistêmica e estratégica, capacidade de autodesenvolvimento constante e integração efetiva com as demais áreas da organização. 62,2%: o RH é visto pelas outros setores da empresa como uma área estratégica para desenvolver talentos e liderar mudanças organizacionais.
  • 45,2%: o papel de gestor de RH será introjetado pelos demais gestores da organização e o profissional de RH fará o papel de coaching entre eles.
  • 47%: o gestor de RH será o catalisador do processo de gestão de pessoas dentro da organização, o responsável pelo coach de todos os líderes e ainda o guardião da cultura e dos valores organizacionais.
  • 77,3%: os profissionais mais admirados são os que levam a marca da organização para outros setores, desenvolvendo ações que promovam melhorias.
  • 92,4%: o reconhecimento como o fator mais importante para se reter talentos nas empresas.
  • 58,4%: a transformação do modelo de organização está focada no sistema de gestão por competência.
  • 64%: destacam a administração por projetos/programas e teletrabalho com flexibilização de horário, já preparando a empresa para a autogestão.
  • 60,3%: a gestão de competência e conhecimento é um importante desafio para o RH.
  • 60,3%: a tendência é a mudança do perfil de atuação do profissional de RH de técnico especialista para gestor de conhecimento.
  • 49%: remuneração será fixa para competências duráveis e variáveis para as competências temporárias.
  • 58,4%: o sistema de gestão de carreira será um alavancador de conhecimento se a organização possibilitar as progressões horizontais dos profissionais através de planos de carreira ligados a competências.

* Segundo pesquisa realizada pela Gestão e RH, entre os RHs das 1.000 Maiores Empresas Brasileiras (critério Revista Exame)