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Polivalência é fundamental

Roberto Shinyashiki *

O campeão, hoje, tem que ser polivalente. O conceito moderno de administração inclui a polivalência entre os requisitos básicos de um profissional bem-sucedido. Se quiser vencer, o profissional deve agregar valores e desenvolver o maior número possível de habilidades. Saber falar várias línguas, negociar, liderar, planejar são algumas dessas aptidões indispensáveis.

No passado, comprava-se separadamente um toca-discos, um gravador e um rádio. Com o passar dos anos, surgiu o providencial três em um. Mas o auge da polivalência veio com o computador: livros, discos, vídeos, jogos, calculadora... em um único aparelho!

Do campeão, por sua vez, espera-se algo parecido: capacidade de acumular recursos e funções que o tornem apto a desenvolver uma série de atividades, em curto espaço de tempo e com os melhores resultados possíveis.

Antigamente, um redator de publicidade era geralmente um sujeito barbudo, boêmio e desligado de horários e prazos. Dava um trabalho danado mantê-lo afastado dos clientes, que eram atendidos pelos contatos ou encarregados da conta: bem vestidos, pontuais e responsáveis. Hoje, a maioria dos diretores de criação é de homens de negócios que acompanham os projetos durante todo o tempo. Se um publicitário achar que o seu negócio é apenas criar, sem atentar para a negociação da campanha junto ao cliente, dificilmente conseguirá se manter no emprego ou mesmo encontrar trabalho.

O campeão sabe que para conseguir seus melhores resultados precisa estar atuando em várias frentes ao mesmo tempo. O perdedor, ao contrário, sempre reclama que estão lhe cobrando muitas tarefas. Assim como o computador invade o "terreno" de vários outros aparelhos para substituí-los, o polivalente que tem competência está sendo cada vez mais valorizado.

No passado, a mulher era mãe e esposa. Hoje, trabalha de oito a dez horas fora de casa e ainda cuida da família e dos filhos. É a tal da polivalência! E o marido? Se deseja preservar a sua companheira, é óbvio que, além do trabalho, vai precisar se dedicar também à esposa. Igualmente, se pretende ter filhos, terá que multiplicar o seu tempo, dando atenção a eles.

Para conseguir o que muitos perdedores consideram impossível, o campeão não pode descuidar-se de usar seu tempo e seus talentos com esmero e qualidade. O computador também só passou efetivamente a substituir o telefone, por exemplo, depois que os modens mostraram a indispensável eficiência para dar conta do recado.

Ter uma boa visão do seu presente, da sua realidade atual, daquilo que você já sabe fazer bem e daquilo que precisa aprender. Estes são os primeiros passos para ganhar consistência, eficiência, velocidade e acertividade nos seus atos. Depois, é empenhar-se em somar aos seus conhecimentos aqueles que você vê que são necessários para manter-se satisfeito com seu próprio desempenho, e continuar em sintonia com a velocidade exigida de um campeão. E cuidado para não confundir velocidade com corre-corre, que são sintomas opostos. O corre-corre reflete apenas falta de planejamento, e muitas vezes não permite que a pessoa saboreie as pequenas vitórias cotidianas, que alimentam o sonho das grandes vitórias.

Enfim, a capacidade de ser polivalente e de usar o tempo de maneira versátil passou a ser fundamental para quem não quer abandonar os seus sonhos. Como diz Leonardo Boff: "A utopia é o que impede o absurdo de tomar conta da história". Por isso, seja polivalente e concretize os seus sonhos!

Roberto Shinyashiki * é escritor, consultor e presidente da Editora Gente

RH EM SÍNTESE 17 – JULHO/AGOSTO 1997 – PÁGINA 28