| Pior do que os dinossauros são os avestruzes, profissionais que acreditam que a tempestade é passageira e que, dentro em breve, o passado vai retornar trazendo de novo seu apogeu Por Roberto Shinyashiki* Certa vez, assisti um filme amador com cenas de um tornado em plena ação... A destruição ia colecionando casas, automóveis e animais. A força do tornado era tanta que, de repente, vê-se a imagem da câmera do cinegrafista se estilhaçando... O mesmo tipo de cena pode ser vista no Brasil atual. A competição aumentando cada vez mais e os mortos e feridos se acumulando por todos os países, estados e cidades. Aqui, infelizmente, a maioria das organizações nacionais permanece apática, com seus empresários e executivos ainda acreditando que estão imunes à concorrência. Nesse cenário de intensa competição só existe algo pior do que os dinossauros: são os avestruzes, profissionais que no fundo de seus inconscientes, acreditam que a tempestade é passageira e que, dentro em breve, o passado vai retornar trazendo de novo seu apogeu; sua era de glórias. A verdade é que a competição está apenas começando e vai ficar ainda mais intensa. Isso é bom ou ruim? Bem, para o cliente vai ser uma maravilha, porém o fornecedor terá se adaptar rapidamente às mudanças, quase sempre, radicais. O problema é que, como consumidores, gostamos das mudanças mas, como profissionais, não percebemos que ela também nos exige os mesmos comprometimentos. O cliente gosta do carro com air-bag, direção hidráulica, freio ABS, preços mais acessíveis, serviço rápido e cortês, mas ainda não se dá conta que a sua empresa tem de oferecer a mesma qualidade em produtos e atendimento. É preciso criarmos empresas de alta performance. Organizações capazes de satisfazer os interesses dos clientes de hoje e amanhã, hábeis para superar os concorrentes como um atleta em final de campeonato. Tudo isso, com uma intensa visão de lucratividade e respeito pelo ser humano. Se a sua empresa não tem uma posição de alta performance, é melhor mudar agora, pois um piloto nunca vai poder mostrar a sua perícia em um carro ultrapassado e deteriorado pela ação do tempo. Porém, se você está em uma empresa competitiva, é fundamental ser um profissional de alta performance. Aquele que transforma ações em resultados, que tem a coragem de ir além das metas, adora desafios, acredita em seu potencial, tem foco no seu objetivo e não no cansaço, age ao invés de ficar reclamando e dando justificativas, reconhece a origem dos acontecimentos em sua vida, gosta do que faz, vive no presente mas orientado para o futuro, tem fé e senso do coletivo e da comunidade. Para nós, profissionais de recursos humanos, o melhor caminho, utilizando palavras da consultora Dana Gaines Robinson, é " transformar treinamento em um centro de performance". Hoje, a área de RH passa por uma transformação fundamental. Ela funciona como alavanca de criação dos novos profissionais nesses tempos de intensa competição. Para o executivo de RH com alta performance, essa é uma oportunidade única de mostrar o seu talento. Já para os avestruzes, mais uma vez, é tempo de reclamar da falta de visão da diretoria. *Roberto Shinyashiki é escritor, consultor organizacional e presidente da Editora Gente RH EM SÍNTESE Nº 25 NOV/DEZ 1998 – ANO V - PÁGINA 55 |