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Reinaldo Passadori
Uma das situações inesperadas
que acontecem na vida de qualquer profissional – e posso
dizer com certa tranqüilidade, das mais difíceis – é
falar de improviso, especialmente em público.
Se falar de maneira organizada,
com preparo, ensaio e um discurso pronto já é difícil,
de improviso então, somente alguns poucos privilegiados
têm a calma suficiente para dar a impressão de que sabem
o que estão fazendo. Nessa situação inesperada, poucos
conseguem falar com propriedade, segurança, naturalidade
e desenvoltura, impressionando e encantando seus ouvintes,
dando o recado com clareza e objetividade.
Não nos iludamos. Não
é da noite para o dia que uma pessoa é preparada para
falar de improviso e envolver a platéia. Temos observado
pessoas despreparadas que decidem falar de improviso
e acabam falando bobagens, gerando até risos na platéia
ou entre os espectadores. Falar de improviso significa
expor um pensamento ou fazer um discurso repentinamente,
sem tempo para se preparar.
Falamos de improviso
quando:
1- Somos questionados sobre algo;
2- Opinamos sobre algo;
3- Somos entrevistados;
4- Somos convidados a falar de improviso;
5- Não temos tempo para nos organizar.
Você bem se lembra daquele
momento de constrangimento inevitável, na sua festa
de aniversário? Todos os convidados, a uma só voz, gritando:
Discurso! Discurso! Discurso!
O que se pode esperar
de um improviso são falas genéricas, opiniões, exposições
sem maior profundidade. Um exercício simples para você
testar sua habilidade para falar de improviso é, por
exemplo, responder às seguintes perguntas:
1 - Qual sua opinião e
quais sugestões você daria para a situação aérea brasileira?
2- Sobre a Educação no Brasil, o que você acredita que
deveria ser feito, como, quando e por quê?
3- Ao fazer um discurso de agradecimento aos seus amigos
e familiares, na festa de seu aniversário, quais os
tópicos que seriam abordados por você?
Algumas sugestões úteis
que poderão tirá-lo(a) dessas situações de “saia justa”
são:
1- Lembre-se sempre de
cumprimentar as pessoas. Procure fazer isso de maneira
formal ou informal, condizente com o contexto;
2- Saiba como iniciar a sua fala. Use fórmulas simples,
por exemplo: dizer o que pretende falar, contar uma
breve história adequada ao que se pretende dizer, usar
uma citação ou fazer uma pergunta;
3- Pense rapidamente no objetivo da sua fala. Sabendo
que não se espera uma profunda nem tão organizada apresentação,
saiba ao menos o que você pretende ao falar: deixar
uma mensagem, marcar presença, prestar uma homenagem,
fazer um agradecimento, compartilhar informações, vender
uma idéia ou um produto, ou expor sua opinião.
Uma forma bastante oportuna
para falar de improviso é desenvolver a seqüência de
idéias com base em uma série de perguntas. Podem ser
as tradicionais: o que, quando, onde, como e por que,
ou outras do tipo: “O que ocorria antes? Como é a situação
atual e o que se espera sobre o assunto?”
Pense em uma série de
perguntas que o ajudariam a falar sobre o seu trabalho,
por exemplo. Note que a técnica facilita uma rápida
roteirização.
Outra estratégia é vasculhar
na sua memória alguns assuntos da atualidade para usar
como ganchos para ilustração ou metáfora sobre o que
pretende dizer. Pode buscar ainda alguma história ou
fato que se relacione com o teor da sua exposição. Por
exemplo, podemos fazer uma alusão aos Jogos Pan-americanos
2007, considerando a harmonia que reinou no Rio de Janeiro
nesse período como uma chama para a esperança de que
tudo é possível quando se tem vontade e fé.
Muitos dos improvisos que
ouvimos por aí, e que são verdadeiras peças da oratória,
são aqueles em que os autores estudam e estruturam a
fala e, na hora “H”, tiram o “improviso do colete” e
dão shows de oratória e eloqüência.
A prática é amiga da perfeição
e do improviso. Quanto mais praticar e conhecer as técnicas
de comunicação e tiver uma boa base cultural para expressar
seus pensamentos e sentimentos com facilidade, além,
é claro, de estar atualizado, sabendo o que está acontecendo
no mundo, no seu país e na sua cidade, mais formará
uma poderosa argamassa com a qual poderá fazer excelentes
improvisos.
* Reinaldo Passadori
é professor de Comunicação Verbal, palestrante,
fundador do Instituto Reinaldo Passadori de Comunicação
Verbal e autor do livro “Comunicação Essencial” (2003,
Editora Gente).
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