| Investimentos em tecnologia, qualidade, atendimento ao cliente e capacitação profissional tem sido o grande diferencial das empresas do setor de alimentação Lucilene Faquim ....Desemprego, reestruturação e redução de custos são palavras que, nos últimos anos, estão sendo cada vez mais utilizadas dentro das organizações brasileiras. As empresas que atuam no setor de alimentação (refeição convênio, refeição coletiva, cesta básica e vale-supermercado) também sentiram os efeitos da crise econômica, de forma mais ou menos intensa, dependendo do porte e da estrutura. Apesar desse cenário, elas estão cada vez mais investindo em tecnologia, qualidade e atendimento ao cliente, passando por treinamento e capacitação dos profissionais. ....Segundo Artur Renato Brito de Almeida, presidente da Assert - Associação das Empresas de Refeição e Alimentação Convênio para o Trabalhador, no último ano o setor sentiu com maior intensidade os reflexos da realidade econômica, crescendo moderadamente, em torno de 6%. “No primeiro semestre deste ano, começamos a sentir, principalmente nos seus últimos três meses, uma melhora de performance decorrente da recuperação econômica e do crescimento do nível de emprego. Isso, começa a representar importante alento que leva o setor acreditar que terá um crescimento, este ano, de 7% e 8%”, ressalta. ....Acreditando no país e na estabilidade econômica, as empresas do setor estão investindo no fortalecimento e aprimoramento do sistema convênio, através da implementação de avanços tecnológicos que permitam adequar o funcionamento do sistema aos anseios de todos os envolvidos: empresas operadoras, estabelecimentos comerciais conveniados, governo, empresas do segmento e usuários (trabalhadores). Dentre todas as modalidades de alimentação previstas no PAT, o sistema convênio representa 56%. Almeida conta que cerca de 15 empresas operam o sistema de refeição e alimentação convênio no Brasil, sendo que algumas delas atuam apenas regionalmente. “Na Assert temos cinco empresas associadas, que representam quase 90% do mercado”, comenta. ....O respeito aos princípios do PAT e o estabelecimento de mecanismos de controle contra o desvirtuamento dos seus objetivos constituem metas permanentes da Assert, diz Almeida. Dentro desse contexto, para este semestre, a associação irá se dedicar à conscientização dos estabelecimentos comerciais conveniados ao sistema sobre a necessidade de valorização dos princípios de funcionamento da atividade com destaque para a questão da segurança e do recebimento correto dos documentos quando apresentados pelos usuários. ....Com uma rede de 200 mil estabelecimentos credenciados, o Grupo VR, segundo Claudio Szajman, presidente da empresa, cresce em média 20% ao ano e em 2000 este número deve se manter. “Este ano nossa meta é buscar a liderança no setor de vale refeição e alimentação e difundir a participação do produto de crédito pessoal com desconto em folha para toda a carteira de clientes no Brasil”, diz Szajman. Para alavancar resultados significativos, a empresa, que possui 1.100 funcionários, vem investindo no desenvolvimento de produtos eletrônicos e na internet. Exemplo disso é o lançamento do portal VR.com. Nele é possível encontrar os serviços do grupo, que atenderá 16 mil empresas clientes, além do mercado como um todo. ....Já a Sodexho Pass, conforme Sérgio Borges Chaia, diretor da empresa, procura caracterizar-se como uma empresa inovadora, oferecendo aos seus clientes e usuários diferenciais como: milhas do programa Smiles Varig na compra de cheques e cartão Cardápio de vantagens que possibilita descontos e benefícios em estabelecimentos comerciais. ....A empresa também se preocupa com a educação nutricional de seus usuários. “Os usuários encontram nos talões dicas de alimentação”, ressalta Chaia. O Grupo Sodexho Pass, que possui no Brasil as marcas Cheques Cardápio, Banerg Convênio, Refeicheque e Unik, conta com 2,2 milhões de usuários, que diariamente utilizam seus cheques de serviços. De acordo com Chaia, este ano a empresa conseguiu um crescimento de 9% em suas vendas. “Nossa meta é continuar propiciando diferenciais, seguindo a filosofia de inovação constante da empresa”, argumenta Chaia. ....Com 28 mil estabelecimentos conveniados de alimentação e refeição, a Bônus, do Grupo CBA, tem como expectativa para o segundo semestre um aumento de faturamento em torno de 60%, conforme Antônio Diaz Berdun, diretor executivo da empresa. Ele diz que apesar da retração do mercado, a empresa, em 1999, teve um crescimento de 12% e no primeiro semestre deste ano foi de 15% em relação ao mesmo período de 99. O principal caminho para facilitar o crescimento, segundo o diretor da Bônus, está na eficiência da prestação de serviço, ou seja rapidez de entrega, atendimento e taxa de serviços compatível com o mercado. “A redução de custos é prioritária para poder atingir as metas”, completa Berdun. ....Acreditando que para prestar melhor serviço e apresentar melhor produto é fundamental estar próxima dos profissionais de recursos humanos, conhecendo de perto suas necessidades, a TransCheck, que possui mais de 120 mil estabelecimentos credenciados, dos quais aproximadamente 48 mil fazem transações diárias com a empresa, está investindo no projeto Ser.com - Ser Competente. Trata-se de um fórum de debates para profissionais de RH. “Nesse espaço, os profissionais têm oportunidade de discutirem sobre o que acreditamos ser o principal fator de diferenciação das empresas: as pessoas e suas competências”, argumenta Celso Coelho, gerente de marketing da TransCheck. ....Mantendo, nos últimos dois anos, um crescimento de aproximadamente 13%, a empresa, segundo Coelho, prevê para o segundo semestre um crescimento de 8%. Este ano ela está lançando o TransCheck Supermercado Eletrônico. “Nossa intenção é atender às necessidades dos profissionais de RH e dos colaboradores de nossos clientes”, ressalta Coelho. Ele diz ainda que o grande desafio da TransCheck e de todo o segmento é ampliar o número de beneficiados pelo PAT, além de desenvolver novos produtos que possam melhorar a qualidade de vida das pessoas. ....Outra empresa que busca ampliar o número de trabalhadores beneficiados pelo PAT é a Ticket, que trabalha com 280 mil estabelecimentos comerciais, em todo o Brasil. “Ainda há muitos trabalhadores fora do programa, muito provavelmente porque os empresários desconhecem seus benefícios”, ressalta Luiz Peduti, gerente de marketing da Ticket. Tentando suprir essa lacuna, a empresa criou, recentemente, uma página em seu site (www.ticket.com.br) sobre o PAT (www.ticket.com.br/pat), com informações gerais do programa. A internet tem ajudado muito a empresa no relacionamento com o cliente. Peduti conta que atualmente 30% de sua carteira de clientes (50 mil empresas) já realizam seus pedidos pela internet. “O que nos permite oferecer maior praticidade, segurança, facilidade e rapidez, trabalhando com custos mais enxutos, mais produtividade e muita confiabilidade”, ressalta. A expectativa da empresa é ter, até o final do ano, 50% dos clientes realizando seus pedidos pela internet e movimentando um volume de negócios de R$ 50 milhões ao mês. ....Hoje dois produtos da empresa estão em destaque: o Ticket Alimentação Eletrônico, que já conta com quase 200 mil cartões magnéticos em circulação, tendo como meta chegar a 2,2 milhões de unidades dentro de um ano; e o Ticket Car, que movimenta 80 mil cartões (40 mil magnéticos e 40 mil smart-cards), crescendo 68% de janeiro a julho de 2000, em relação ao mesmo período de 99. Este ano, além de investir no aprimoramento do Ticket Alimentação Eletrônico e do Ticket Car, a empresa lançou mais dois produtos: o Ticket Farma e o Ticket Plus. ....“O mercado de refeições, tanto para a coletividade como para o regime de público não-cativo, está em franco desenvolvimento e os principais competidores adotaram a estratégia de crescimento por aquisição, a exemplo da GR Serviços de Alimentação, que incorporou mais de 120 novos clientes/empresas nos últimos 12 meses”, ressalta Fábio Moreira, gerente de marketing da empresa. Fornecendo 500 mil refeições por dia, a GR vem investindo na qualidade e na excelência dos serviços, na parceria com o grupo de fornecedores, na organização interna e na oferta de alternativas de produtos e serviços que atendam às necessidades dos usuários. “Nossa expectativa é continuar crescendo entre 5 e 7% em 2000”, comenta Moreira. ....Ele diz que para atrair novos clientes e manter os atuais a empresa pretende continuar com o plano de investimento em qualificação de mão-de-obra, dando oportunidade de desenvolvimento aos colaboradores e contribuindo para a melhoria das relações com o mercado já instalado; pesquisar novas oportunidades de mercado; e buscar novas tecnologias para atender às necessidades dos consumidores. ....A Embrasa, que fornece 160 mil refeições por dia, em restaurantes industriais, hospitais e escolas, vem investindo na área comercial. Paulo Stillner, diretor comercial e marketing, explica que todo gerente consultor (vendedor) apresenta a proposta pelo seu laptop na casa do cliente, negociando no momento o fechamento do contrato, inclusive a margem de lucro. “Além disso, estamos investindo na padronização visual, informatização, entretenimento nos restaurantes e em novas áreas específicas: alimentação escolar, hospitalar e centros comerciais”, relata Stillner. Ele acredita que a empresa deve fechar o ano com faturamento próximo de R$ 65 milhões, com crescimento de aproximadamente 44% no ano. ....De acordo com Antonio Guimarães, diretor superintendente da Aberc - Associação Brasileira das Empresas de Refeições Coletivas, nos últimos anos o setor de alimentação teve uma evolução significativa e crescente. “Isso devido à evolução da tecnologia; da administração, principalmente dos recursos humanos; da qualidade dos produtos e serviços e dos padrões de aspirações dos consumidores”, comenta Guimarães. Mas ainda há muito o que fazer para acompanhar as necessidades atuais e a própria evolução natural do mercado de refeições, ressalta Antonio Carlos Malheiros de Almeida, diretor de suprimentos da Aberc. ....Ele concorda com Guimarães que houve uma enorme evolução no que se refere aos controles, qualidade, produtividade e modernização constante. Mas diz que, apesar do benefício nutricional que as empresas que fornecem refeições dão aos seus funcionários, trazendo melhoria de hábitos e conseqüentemente da qualidade de vida da população em geral, o peso da carga tributária na alimentação é grande. “Ela não vem sendo observada, de forma a onerar o que poderia retornar como alavanca, para que as empresas pudessem investir cada vez mais na alimentação”, ressalta o diretor de suprimentos da Aberc. E completa: “Como profissional desse mercado, espero que, com a ajuda do PAT, possamos sensibilizar nossos governantes para auxiliar o setor na manutenção e evolução do número de refeições servidas, com uma tributação justa, em prol da nossa população como um todo.” Como lembrança, ele cita o sistema de tributação de crédito presumido do ICMS, que é uma alternativa para a redução da carga tributária, usada no passado. “Na maioria das atividades paga-se ICMS sobre a margem de lucro; no caso das empresas de refeições coletivas paga-se praticamente sobre tudo, sendo que os insumos da cesta básica estão com carga tributária reduzida e ainda existem produtos como os hortifrutigranjeiros, em que não existe crédito algum”, ressalta Malheiros de Almeida. Cesta básica Com o mercado estável em 99, o setor de cesta básica está otimista este ano. Segundo Simon Bolívar Bueno, presidente da Abracesta - Associação Brasileira dos Produtos e Distribuidores de Cestas de Alimentos Básicos ao Trabalhador, as expectativas de crescimento, em relação ao ano passado, são de 10%. A CBA, que fornece 500 mil cestas básicas mensalmente, prevê um crescimento, apenas no mercado de cestas básicas para este ano, de 17%. ....Para alavancar resultados significativos, a empresa vem investindo, conforme Laura Mois, gerente de marketing, em qualidade no atendimento e em tecnologia. “Investimos na informatização completa de nossas atividades, com a implantação de um novo sistema gerenciador, que facilitará a comunicação dos clientes com a empresa”, conta Laura. Para atrair novos clientes, “estamos desenvolvendo um material informativo que acompanhará nossa equipe de consultores em suas visitas, com o objetivo de aprimorar o atendimento e esclarecer todas dúvidas sobre o benefício da cesta básica”, diz Laura. Serviço: Aberc (11) 5572-9070; Abracesta (11) 3864-4199; Assert (11) 256-7378; Bônus/CBA (11) 6905-3312; Embrasa (11) 7086-9969; GR (11) 3178-3000; Sodexho Pass (11) 3670-2046; Ticket 0800 15 5566; TransCheck (11) 253-9555; VR (11) 5508-7000 Reconhecimento profissional O reconhecimento do setor de alimentação ao trabalho desenvolvido por Eglacy Porto Silva, que durante 24 anos se dedicou ao Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT), foi marcado com um jantar, oferecido pela Assert, em São Paulo, de que participaram diversos profissionais do setor. Eglacy, que ultimamente ocupava o cargo de coordenadora geral do programa, inicia uma nova fase em sua vida. Apesar da chegada da aposentadoria, ela não pretende parar de contribuir com o PAT. “Vou continuar dando consultoria ao Ministério do Trabalho e entidades que necessitarem de informações sobre o programa”, diz. ....Professora de formação, Eglacy acredita que ensinar é sua missão. Por isso, durante tantos anos vem contribuindo e lutando para levar informações sobre o PAT às empresas e trabalhadores que não conhecem seus benefícios. “O grande desafio é fazer com que mais pessoas conheçam o programa, pois ainda há muitos trabalhadores fora do PAT”, explica. No intuito de conquistar mais adeptos, o Ministério está promovendo campanhas de segurança no trabalho e educação alimentar nas áreas rurais. “Muitas vezes, por falta de conhecimento dos empresários sobre os benefícios do programa – não apenas aos trabalhadores, mas também às empresas – eles não o adotam”, diz Eglacy. Outra forma adotada para incentivar a inclusão de mais empresa no PAT é a desburocratização do sistema. Uma medida recente neste sentido foi a dispensa do recadastramento anual das empresas. Mercado de Refeições Servidas para colaboradores de empresas e entidades no Brasil | A- Refeições (em milhões de refeições por dia) | | Autogestão (administrada pela própria empresa) | | | Refeições Coletivas (prestadoras de serviços) | | | Refeições Convênio (tíquetes/cupons p/ restaurantes) | | | B - Gêneros alimentícios para refeições (em milhões de unid/mês) | | Alimentação Convênio (vales para supermercados) | | | C- Mão-de-obra empregada no setor de refeições coletivas | | D- Faturamento aproximado de refeições (em bilhões de reais) | | Autogestão | | .... | .... | .... | 0,7 | 0,7 | 0,7 | | | Cestas Básicas | | .... | .... | .... | 1,3 | 1,4 | 1,6 | | | Refeições Coletivas | | .... | .... | .... | 2,8 | 3,2 | 3,7 | | Fonte: Aberc - Associação Brasileira das Empresas de Refeições Coletivas RH EM SÍNTESE Nº 36 - ANO VI - JUL/AGO 2000 - PÁGINAS 03 a 08 |