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Oferta de vagas para executivos apresenta queda no primeiro trimestre do ano. Mas representantes do setor acreditam na retomada das vagas ainda no primeiro semestre.
Heliana Alvares
Pesquisa da Laerte Cordeiro Consultores em Recursos Humanos, realizada no primeiro trimestre de 99, apresentou uma procura de executivos, através de anúncios de jornais, 33% menor do que a do primeiro trimestre de 98. A média semanal de anúncios, que foi de 54 publicações em 98, caiu para 36 no primeiro trimestre deste ano. As fontes da pesquisa são os principais jornais de São Paulo (Estadão, Folha, Gazeta Mercantil e Diário Popular). Laerte Cordeiro, diretor da empresa, explica que o mês de fevereiro, sempre fraco na oferta de empregos para executivos, sofreu também, este ano, com a delicada situação econômico-financeira e política que o país atravessa. "Março, por outro lado, é sempre o melhor mês do ano, com significativa atividade no mercado de trabalho. Esperamos pelo melhor, acreditando que as coisas já estiveram mais difíceis e que dias melhores virão", diz.
O diretor da FHCC – Franciatto Humanos Capitais Consultoria, Claudir Franciatto, diz que o mercado de trabalho de executivos vai estar aquecido nos próximos meses, revertendo a situação registrada no primeiro trimestre, com uma queda de 18% nas vagas em relação ao mesmo período do ano passado. "Nossas pesquisas em classificados de jornais e no nosso banco de vagas mostram que a média no mês de abril já supera o número de vagas dos três primeiros meses do ano", afirma. O motivo desse aquecimento previsto, segundo ele, vem da recuperação da economia como um todo. "Passado o susto da desvalorização do real, os projetos que faziam parte do planejamento estratégico das empresas, mas que estavam represados, vão ser retomados a partir de maio próximo", acredita.
De qualquer forma, no entender de Franciatto, o mercado de executivos é basicamente sempre do mesmo tamanho. "Existem sempre de 3 mil a 4 mil vagas mensalmente para profissionais de nível superior em todo o Brasil. O que varia é a distribuição dentro do ano, por regiões, por setores e por cargos. Às vezes, o desaquecimento da economia adia as contratações, ou então as tendências da economia favorecem mais a área financeira do que o marketing/vendas e vice-versa". A única mudança mais acentuada que se vem registrando nesse mercado, afirma o consultor, se dá no âmbito do recrutamento e seleção. "As organizações de todos os portes ficarão cada vez mais exigentes, pois necessitam de talentos para enfrentar a competitividade. Portanto, o que muda são as normas de o profissional desenvolver sua carreira, com muito mais afinco, e o seu marketing pessoal", diz.
Recomposição – Pesquisa do Grupo Catho, que faz um levantamento mensal através das edições dominicais de 20 jornais das 16 principais capitais do país, mostra que o mercado de trabalho para executivos registrou, no mês de março, o menor índice de crescimento dos últimos seis anos. O fato, entretanto, segundo Lizete Araújo, vice-presidente executiva do Grupo Catho em Minas Gerais, representou um "alívio" para os executivos brasileiros. Isto porque, explica, as vagas oferecidas para esses profissionais cresceram 9,7% em relação a fevereiro e 10,9% na comparação dos doze últimos meses. Isto, entende Lizete, mostra que apesar das intempéries da crise cambial, o mercado se mostrou um pouco mais favorável.
"Na nossa avaliação, o crescimento representa uma recomposição dos quadros de funcionários, principalmente dos setores econômicos que estavam retraídos com a sobrevalorização do real, como os exportadores", diz Lizete. Para ela, embora a crise cambial tenha afetado a economia, alguns segmentos apresentaram aquecimento e voltaram a contratar executivos, não apenas para atender a demanda mas, sobretudo, para se tornarem mais competitivos no cenário internacional. "É bom lembrar que muitas empresas não recorrem a anúncios de jornais para contratar os profissionais qualificados. Elas se utilizam de outros meios, como empresas de headhunters. Nesse sentido, o incremento pode ter sido ainda maior", comenta.
O diretor da Lens & Minarelli, José Augusto Minarelli, afirma que apesar das mudanças nos rumos da política econômico-financeira do país, no último trimestre foram registradas 11,5% mais recolocações do que em 98 e 11,3% menos do que em 97. O tempo de recolocação diminuiu em 15 dias de 97 para 98 e em oito dias de 98 para 99, ficando ao redor de 3,4 meses. "Paralelamente, tivemos 818 solicitações de currículos e encontramos 328 vagas para executivos no mercado invisível, evidenciando um mercado em movimento ascendente de janeiro para março", diz Minarelli.
No mercado desde 1982, atuando sempre em outplacement e aconselhamento de carreira, assistência a empresas antes e durante a demissão, apoiando o executivo até a recolocação em um novo emprego, a Lens & Minarelli, que conta com uma equipe de 25 funcionários, já recolocou mais de 2 mil executivos, entre presidentes, diretores e gerentes, oriundos de cerca de 500 empresas multinacionais e nacionais. A consultoria, que registrou crescimento de 40% de 97 para 98 e, de acordo com Minarelli, continua crescendo no mesmo ritmo, é membro do Career Partners International, uma rede de empresas independentes de outplacement com 140 escritórios em todo o mundo, e da Association of Career Management Firms International.
O diretor diz que a maior dificuldade de um executivo para se recolocar no mercado de trabalho deve-se à forma pela qual ele trata a realidade. "Ou seja, a objeção à mesma e o desejo de que as coisas sejam como eram antes faz com que o profissional tenha uma postura rígida frente ao novo, o que o impede de se adaptar aos novos tempos e agarre as oportunidades que passam diante dele", afirma Minarelli. Segundo ele, é imenso o número de profissionais cujos processos de recolocação são demorados por apresentarem estas dificuldades.
Poucas oportunidades – Há 22 anos no mercado, prestando serviços na área de RH, especialmente recrutamento, seleção e recolocação de executivos, o Grupo Catho conta com mais de 50 headhunters na divisão Case Consultores, organização especializada na "caça" aos melhores profissionais. Para Lizete Araújo, um dos maiores fatores que dificultam a recolocação no mercado é a falta de uma definição clara do que se deseja e no direcionamento do foco de divulgação.
O profissional precisa, segundo ela, selecionar seus pontos mais fortes e direcionar a divulgação para as empresas que valorizam essas competências. "Se ele não tem, por exemplo, um inglês fluente, não adianta procurar por multinacionais. Nesse caso, é preciso se readequar e se preparar para se ‘vender’ nesse mercado", diz. Outro fator muito importante, destaca, é a flexibilização para negociar salários e transferências de cidades, estados e até países. "Se o executivo estiver desempregado, ele deve avaliar até mesmo a possibilidade de uma redução salarial. O mercado está sinalizando que as empresas estão fazendo uma revisão de salários, propondo outras alternativas como a remuneração variável", afirma.
Com um faturamento anual em torno de R$ 450 mil, a Laerte Cordeiro é uma empresa exclusivamente brasileira e tem, segundo seu diretor, como principal diferencial, a eficácia dos seus serviços sem prejuízo do respeito à dignidade humana das pessoas atendidas, além de um comportamento altamente ético. Para Cordeiro, não há fartura de vagas no mercado. "Faltam principalmente vagas. É claro, porém, que o mercado tem muitos ‘dinossauros’, cuja experiência alardeada hoje em dia ninguém mais quer, por ser obsoleta. Mas as oportunidades é que são poucas", afirma.
Para manter-se em alta empregabilidade, o executivo brasileiro, hoje, segundo Laerte, precisa de alta escolaridade, inglês, informática, além de saber trabalhar com poucos recursos de apoio, enfrentar longas jornadas e com intensidade, atuar agregando valor à empresa com sua presença, mostrar resultados e enfrentar mudanças com coragem. "Além, é claro, de saber se relacionar com as pessoas que estão à sua volta", salienta.
Mercado globalizado – Para Laerte Cordeiro, as empresas de outplacement constituem-se em alternativa útil para quem busca executivos para contratar. "Nem sempre nelas se encontra o profissional que se quer, mas é mais um meio de recrutamento e, certamente, mais barato que os outros meios", opina. E acrescenta que o mercado globalizado supõe maior competição empresarial e, consequentemente, maior demanda por eficiência, produtividade, resultados e custos baixos, em um ambiente de poucos recursos. "O executivo brasileiro em geral vai bem nisso, já que os últimos dez anos tem sido educativo", diz.
Manter-se no mercado globalizado, segundo as pesquisas da Catho, tem levado os profissionais, independente dos investimentos das empresas em treinamento, a buscarem participar de cursos, pós-graduação, especializações, melhorar o conhecimento de línguas estrangeiras, além de se atualizarem em novas tecnologias. "Eles estão atentos à necessidade do investimento próprio na carreira, participando de eventos como seminários, palestras e congressos, sem ficar esperando apenas pela empresa. Isso acaba sendo uma exigência do próprio mercado. O processo de evolução das atividades é muito dinâmico e para se manter no mercado é preciso estar atualizado", diz Lizete.
Além de acompanhar as mudanças para se manter competitivo, Lizete salienta a importância do profissional fazer constantemente uma auto-avaliação, para saber se está cumprindo as metas da empresa e procurar superá-las apresentando propostas inovadoras. "O mercado está exigindo profissionais mais qualificados, criativos, com visão de negócios e flexíveis em termos de negociação salarial, novos desafios e transferências. "É bom lembrar que manter-se no mercado de trabalho não significa manter o emprego. Existem várias formas de relação de trabalho, como prestação de serviço, manter o próprio negócio ou atuar como consultor", comenta.
Para Minarelli, os executivos brasileiros têm o ingrediente de personalidade essencial para as exigências do mercado globalizado, ou seja, a versatilidade. Entretanto, adverte para a necessidade de desenvolver fluência nos idiomas inglês e espanhol, conhecimentos específicos sobre diferentes mercados e utilização produtiva dos recursos de informática, principalmente a Internet. "Além do conhecimento de idiomas, informática e capacidade de lidar com diferentes pessoas em diferentes culturas, o mercado busca um profissional voltado para o futuro, com visão de resultados e capaz de adaptar-se a um mundo em que predominam as mudanças e as incertezas", conclui o consultor.
Serviço: Laerte Cordeiro (11) 5572-8517 , FHCC (11) 210-8781, Grupo Catho (11) 3177-0700 , Lens & Minarelli (11) 251-1788
RH EM SÍNTESE Nº 28 – MAI/JUN 1999 – ANO V – PÁGINAS 20 A 22
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06/06/1999
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